A liturgia da Igreja nos introduz no 32º Domingo do Tempo Comum. Caminhamos para o final do ano litúrgico. As leituras a serem proclamadas são: 1 Reis 17; Hebreus 9 e São Marcos 12. Jesus nos chama a atenção para o valor dos pequenos gestos.
Hoje, duas pobres viúvas nos ensinam com o exemplo de despojamento e confiança total. Jesus, o sacerdote verdadeiro, que entrou no santuário do céu como oferenda perfeita, dirige uma palavra de esperança para os pequenos e pobres e uma palavra de denúncia para os que exploram e se julgam melhores.
A primeira leitura é tirada do 1º livro dos Reis. No capítulo 17, inicia-se o chamado `Ciclo de Elias`. Elias, cujo nome significa `Meu Deus é Javé`, aparece sem nenhuma apresentação prévia, anunciando ao rei Acab a seca, no Reino do Norte.
Casando-se com Jesabel, o rei Acab permitiu que sua esposa introduzisse, no Reino do Norte, o culto a Baal, deus cananeu. Sendo Baal o deus da chuva e da fertilidade da terra, consequentemente seria ele o responsável pelo alimento. Mesmo com a permissão do culto a Baal, por parte de Acab, a fome assolou a região.
O profeta Elias, escapando da perseguição e da fome, refugia-se em Sarepta, pequeno povoado na Fenícia, região de Jesabel. É aí, nesta região pagã, que Deus vem em socorro de Elias por intermédio de uma viúva pobre e pagã, contrastando com a rainha poderosa. A viúva ia comer o que restava de comida para ela e o filho. A seca serve, então, para mostrar que o Deus de Israel é o verdadeiro doador da chuva. Único e supremo Senhor da natureza.
Embora Baal fosse o deus da fertilidade, a viúva e seu filho iam morrer de fome. Deus, o Senhor da vida dá o trigo e o azeite, por meio do profeta Elias: `A farinha da vasilha não acabou nem diminuiu o óleo da jarra`. A viúva confiou no Deus do profeta. Repartiu o pouco que tinha e seu gesto não ficou sem resposta.
Na segunda leitura continuamos lendo a carta aos Hebreus. Os versículos de hoje pertencem à segunda parte da carta e uma seção trata do sacerdócio novo de Cristo.
Jesus Cristo não é somente o único sacerdote da nova aliança, mas também é a única vítima. Com sua morte e ressurreição Cristo entra no santuário dos céus, diferentemente do sacerdote que entrava, uma vez por ano, no Santo dos santos, para oferecer o sacrifício de expiação pelos pecados do povo.
Por Cristo, o caminho para Deus está aberto para sempre. O evangelista mostra a quem quer seguir Jesus que a base do discipulado cristão é ter fé em Deus. Fé transformada em ação, em amor ao próximo como a si mesmo. O discípulo tem diante dos olhos dois modelos: `o escriba sincero de 12, 28-34 e a viúva pobre, cuja generosa fé em Deus a levou a `depositar tudo o que tinha para viver`.
Podemos dividir em duas partes o texto de hoje: um alerta à multidão diante da hipocrisia dos doutores da Lei, e o exemplo da viúva que depositou no cofre do Templo de Jerusalém, tudo o que tinha.
Embora contados em dois momentos pelo evangelista, os textos estão profundamente ligados, visto que as viúvas eram o grupo social mais explorado pelos doutores da Lei. De um lado, o doutores da Lei e escribas cuja prática não deve servir de modelo para ninguém; do outro, o exemplo da viúva que deu tudo o que tinha, sem constrangimento. Provavelmente, o valor depositado era falado em voz alta. A pobre mulher depositou duas pequenas moedas que não valiam quase nada, enquanto os ricos, com toda ostentação, depositavam grandes quantias.
A viúva entrega todo seu sustento numa atitude de total confiança e esperança em Deus `que é fiel para sempre; faz justiça aos oprimidos; dá alimento aos famintos". Os ricos, ao contrário, ficam com uma parte de sua riqueza, que lhes dá uma margem de segurança. Ao discípulo de Jesus é oferecido critério para discernir e não julgar segundo as aparências.
IMAGEM DA MADRE RITA
A Catedral prepara a entronização da Imagem da Beata Madre Rita Amada de Jesus. É um presente do Instituto "Jesus, Maria, José" que foi fundado por ela. A razão está no milagre que a beatificou ter acontecido na cura de uma senhora durante suas possíveis últimas horas de vida num dos leitos da Santa Casa de Franca. A entronização será durante a missa das 9 horas do dia 29 de novembro.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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