Uma nova denúncia envolvendo o esporte amador de Franca veio à tona ontem. O Ministério Público anunciou a abertura de um novo inquérito relacionado com o Projeto Bolsa Atleta, desta vez, envolvendo a Associação Francana de Esportes, seu presidente e uma servidora, cujos nomes não foram divulgados. A entidade concentra seis modalidades diferentes e recebe uma repasse anual da Prefeitura no valor de R$ 112.612,40. As acusações são de fraude nas eleições para escolher a presidência e falsidade na relação dos atletas beneficiados com bolsas estudo com o objetivo de beneficiar parentes.
As revelações foram feitas durante entrevista coletiva concedida pelo promotor Paulo César Corrêa Borges, que contou com a participação do delegado Daniel Paulo Radaelli e do secretário municipal de Administração, Jerônimo Sérgio Pinto. Após os participantes fazerem um resumo das investigações que resultaram no indiciamento de dois técnicos, Borges anunciou que abriu um terceiro procedimento, ontem, para investigar a Associação Francana de Esportes.
Coincidência ou não, entre as modalidades abrangidas pela entidade estão o basquete feminino e o futsal masculino, cujos técnicos são acusados de se apropriar de recursos públicos destinados aos jogadores. “Temos indícios de graves irregularidades na associação. Vamos aprofundar as investigações para apurar se são casos isolados ou se há participação de funcionário público”.
Paulo Borges afirmou que houve fraude na última assembléia realizada para eleição da diretoria da entidade, cujo presidente e a técnica acusada de desviar recursos têm forte relação de parentesco. “Identificamos cinco pessoas que não participaram da assembléia que elegeu a atual diretoria e cujas assinaturas constam da ata. Pelo menos uma destas pessoas, temos absoluta certeza, teve sua assinatura falsificada”.
As supostas irregularidades não param por aí. Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, uma pessoa vinculada à diretoria da Associação foi beneficiada com uma bolsa de estudo na Unifran sem ser atleta, o que contraria a lei municipal que dispõe sobre o projeto. As autoridades descobriram o esquema ao confrontarem e encontrarem divergências entre a relação de beneficiados fornecida pela universidade com a entregue pela Divisão de Esportes. “Coincidentemente, as irregularidades envolvem pessoas e entidades que já são formalmente investigadas, inclusive, com proximidade de parentesco. Vamos aprofundar as investigações e responsabilizar quem tiver que ser responsabilizado, seja particular ou servidor público”, finalizou o promotor.
Como omitiu da investigação o nome da pessoa que era beneficiada com a bolsa de estudo, a fim de encobrir a irregularidade, a servidora lotada na Divisão de Esportes também será processada pelo Ministério Público e responderá por falsidade ideológica na Polícia Civil, o mesmo acontecendo com a direção da Associação. “Se chegarmos à conclusão de que várias pessoas cometerem crimes em conluio a fim de fraudar, tantos os alunos contra o erário público, poderemos instaurar um novo inquérito para apurar uma possível formação de quadrilha. São fortes os indícios de que há ligação entre todos os fatos”, afirmou o delegado Radaelli.
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