A prisão do técnico do time feminino de basquete de Franca, Alexandre Saldanha Borges, 48, divulgada com exclusividade pelo Comércio, ontem, pode trazer à tona um esquema de corrupção montado na Divisão Municipal de Esportes. A própria Prefeitura não descarta a possibilidade de várias pessoas terem se organizado para desviar recursos do projeto Bolsa Atleta. Antes de Borges, outra servidora já havia sido surpreendida cobrando dinheiro de atletas e é alvo de inquérito na Polícia Civil. Suspeita-se que o esquema tenha um líder que seria o responsável por concentrar todos os “pedágios” recolhidos junto aos esportistas.
No dia 11 de setembro, a Divisão de Auditoria da Prefeitura recebeu denúncia do pai de um jogador informando que a técnica da equipe de futsal masculino estava exigindo que eles pagassem para continuar integrando o time. A treinadora foi seguida e flagrada no momento em que recebia o dinheiro na praça central. Levada à Prefeitura, a servidora negou o crime.
Durante revista pessoal, foram encontrados R$ 1054 que estavam escondidos em sua calcinha. A quantia teria sido entregue a ela por dois atletas e foi devolvida a eles posteriormente. “Como não temos poder de polícia, fizemos o flagrante administrativo que não tem efeito para prisão. Abrimos um processo interno e encaminhamos o caso para a Polícia Civil. Um inquérito foi instaurado para apurar o caso no âmbito criminal”, disse o secretário de Administração, Jerônimo Sérgio Pinto.
A treinadora foi afastada do time e está proibida de manter contato com atletas para não haver coação. Comprovada sua culpa, ela poderá ser demitida por justa causa.
Anteontem, o técnico da equipe feminina de basquete foi surpreendido pela polícia no momento em que estaria recolhendo o pagamento de quatro atletas e recebeu voz de prisão. Ele foi autuado em flagrante pelo crime de concussão e levado para a cadeia do Jardim Guanabara.
A equipe de auditoria da Prefeitura apura a informação de que, pelo menos, mais um treinador de outra modalidade estaria exigindo propina dos atletas. “Não podemos compactuar e concordar com atitudes que, infelizmente, parecem não ser isoladas. Me parece que tem algo articulado. Vamos procurar, com o auxílio da polícia, chegar a todos os responsáveis”, disse o secretário de Administração.
Jerônimo Sérgio ainda não conseguiu comprovar a conexão entre os envolvidos, mas disse que as evidências apontam para a formação de uma quadrilha. “A suspeita é de que há um grupo organizado para este tipo de atividade”.
Responsável pela apuração do crime, o delegado Daniel Paulo Radaelli afirmou que investigará todas as denúncias que sua equipe receber e que poderá fazer novos indiciamentos. “Vamos investigar todas as pessoas que podem estar envolvidas, independentemente, de terem cargos ou não na administração pública”.
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