O estudante Thiago Teruo Kuratani, 20, motorista que atropelou cinco pessoas e matou quatro no fim da tarde do último sábado, afirmou em depoimento à polícia que tinha consumido álcool até às 6 horas daquele dia. Ele não aceitou fazer o exame de alcoolemia e a Polícia Rodoviária não informou se o universitário fez o teste do bafômetro. A informação consta em boletim de ocorrência, que também não esclareceu se ele passou acordado a noite anterior ao acidente. O universitário teve sua CNH (Carteira Nacional de Habilitação) apreendida na delegacia e responderá a inquérito em liberdade. Ele foi liberado logo após prestar depoimento, sábado, em Franca. Ontem, o Comércio tentou entrevistá-lo (leia mais abaixo), mas não o localizou. A polícia de Franca não informou se ele será ouvido novamente. O caso será entregue aos agentes do 2º DP, fechado desde sexta-feira em razão do feriado prolongado.
A reportagem encontrou duas testemunhas do acidente que matou quatro pessoas e deixou uma em estado grave - Paulo César Monteiro de Almeira, 21, está no CTI da Santa Casa de Franca. O motorista de uma Van que seguia poucos metros atrás do Celta dirigido por Kuratani disse que o estudante não estava em alta velocidade quando atropelou as cinco pessoas. Segundo o motorista, um homem de 45 anos de idade, que vinha de Serra Azul para Franca, o estudante de agronomia da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) mantinha velocidade aproximada de cem quilômetros por hora.
A testemunha afirmou que logo após passar pela ponte da Vila São Sebastião, o Celta de Thiago guinou à direita, bateu na canaleta que serve para conduzir água das chuvas, subiu na mureta de concreto com 20 metros de comprimento, bateu e arrancou o poste telefônico da Autovias, rodopiou no ar e caiu no acostamento. "Foi tudo muito rápido. Quando vi o carro rodando e as pessoas caindo pela pista até pensei que pudessem ser passageiros que estavam com o rapaz. Depois é que fui perceber que eram pessoas que aguardavam o ônibus. O carro acertou as pessoas no ar", disse o motorista da Van, identificado por Messias. O primeiro a ser atingido teria sido Alvimar Cardoso, que estava em pé no barranco, ponto onde o carro subiu. Os demais estariam encostados na mureta.
Messias não soube dizer quando notou o carro do estudante, mas lembra-se de quase tê-lo ultrapassado sob o viaduto que liga o Distrito Industrial à Vila Santos Dumont. Nesse momento, por causa de radares, conferiu a velocidade no painel de sua Van, que apontava o limite máximo permitido. O Celta de Thiago seguia logo à sua frente, mantendo trajetória reta. "Posso garantir que ele não corria acima do permitido. Deve ter cochilado mesmo. Tanto que quando vi o carro indo para o lado do acostamento, não entendi o que acontecia", disse Messias.
O motorista, que parou no local do atropelamento, tinha três passageiras que seguiam para o Jardim Santa Terezinha, em Franca. De acordo com ele, Thiago desceu desorientado do carro. Ao ver os corpos no chão, teria mexido com eles pedindo desculpas e dizendo frases desconexas, afirmando que tinha dormido ao volante. Messias ainda relatou que o rapaz não tentou fugir da área do acidente e que tentou chamar a polícia de seu próprio telefone.
Outra testemunha do acidente, que estava na mesma Van, uma mulher chamada Mariana, de 24 anos, disse que dormia até o momento do acidente. Acordou com o barulho da batida e viu os corpos caídos na rodovia. A moça, empregada de uma banca de pesponto, socorreu a menina Suelen, de 9 anos, a única sobrevivente do grupo.
Mariana pegou a criança, que chorava muito na ocasião, e pediu carona a um veículo que passava próximo. "Ela foi indicando o lugar em que morava, até que conseguimos encontrar a casa da família", disse ela.
Outras informações e fotos do acidente no <a target="_blank" href="http://gcnvaz.wordpress.com"><b>Blog do Vaz</b>.
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