O estudante Thiago Teruo Kuratani, 20, foi levado ao plantão policial de Franca por policiais rodoviários, onde chegou por volta das 18h15. Seu depoimento ao delegado José Carlos de Oliveira durou, pelo menos, duas horas.
Estudante de agronomia, Kuratani está matriculado no terceiro ano da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiros, ligada à Universidade de São Paulo, e era um dos coordenadores do Caipirusp, competição esportiva que reúne alunos dos campi da USP localizados no interior do Estado, realizado desde sexta-feira em Franca. Natural de São Paulo, o universitário mora em Piracicaba, sede da Esalq.
No momento do acidente, disseram amigos que estavam no plantão da Polícia Civil, ele estaria se dirigindo sozinho à quadra de esportes da Sabesp, onde estava acontecendo um jogo de voleibol. Ninguém soube dizer de onde o estudante havia saído ou qual o trajeto que havia feito antes do acidente.
Durante a tarde, três amigos permaneceram na delegacia. Segundo o delegado, ele estaria em estado de choque e sem condições para dar entrevista. Em nenhum momento a polícia divulgou seu nome.
Por volta das 19h30, um casal de amigos chegou para conseguir mais informações sobre o depoimento de Thiago Kuratani. Foram eles que traçaram um perfil do estudante.
Segundo os dois, Thiago seria uma pessoa tranquila e responsável. Para eles, que o conhecem há dois anos, seria impossível o amigo dirigir depois de consumir álcool, levantando uma hipótese para o acidente. "Ele é sempre o primeiro a não beber se tiver que dirigir em seguida", disse o rapaz. Segundo a garota, Thiago está envolvido com a organização de competições esportivas universitárias desde o primeiro ano de faculdade.
Perto das 21 horas, o jovem deixou a delegacia. Mesmo antes de sair teve a cabeça coberta por um lençol. Segundo um policial civil que conversou com o Comércio, o motorista foi liberado porque não fugiu do crime. O estudante deverá responder a processo por homicídio culposo.
INDIGNAÇÃO
Por alguns instantes a situação ficou tensa no plantão policial após a chegada de parentes e amigos das vítimas do atropelamento. Policiais civis chegaram a empunhar espingardas calibre 12 e duas viaturas do Tático Móvel da Polícia Militar foram chamadas para reforçar a segurança do estudante Thiago Kuratani.
Ao menos 20 pessoas foram ao plantão com o objetivo declarado de encontrar o estudante. Emocionadas e exaltadas, muitas delas cobraram explicações sobre as medidas adotadas pela polícia contra o universitário. Em determinados momentos, os policiais civis chegaram a ameaçar com prisões quem insistisse em entrar na delegacia.
Um dos mais revoltados era o pedreiro Edson da Silva, 38, morador da Vila São Sebastião. Logo depois do acidente, ele chegou a pegar um galão de gasolina para poder jogar no carro do estudante, mas teria sido impedido por policiais militares. “Agora todo mundo sabe o que vai acontecer. Ele vai pagar uma cesta básica por mês enquanto a família vai ter que encomendar missa para os que morreram. Ele vai sair numa boa, mesmo com tudo o que aconteceu".
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