Muros altos, com cerca elétrica, alarme, portão eletrônico e cães de guarda. Tantos recursos para garantir um lugar seguro para se morar não têm evitado a ação violenta de bandidos. Eles começaram a agir do lado de fora. O simples movimento de chegar em casa e acionar o controle do portão para entrar se tornou algo perigoso. Só no último fim de semana, duas famílias foram rendidas segundos antes de entrarem em suas residências. De agosto a outubro, dez francanos viveram momentos de pavor ao serem rendidos por marginais armados, mascarados e agressivos.
As mais recentes vítimas são cinco pessoas da mesma família, no Bairro Esplanada Primo Meneghetti. Os muros com mais de dois metros de altura e o investimento de mais de R$ 6 mil em cerca elétrica e alarme não foram suficientes para conter o violento assalto no domingo passado. Com medo, a família está agora instalando câmeras de segurança em torno de todo o terreno.
O tormento começou às 21 horas quando o genro da dona de casa SOC, 53, abriu o portão pelo interfone para sair e foi surpreendido por três bandidos que invadiram a residência. O ataque já começou com violência. Ao abrir o portão, o jovem foi jogado no chão e agredido com chutes, pontapés e coronhadas.
O barulho chamou a atenção dos familiares que estavam dentro do imóvel e acabaram rendidos também. Para a dona de casa, o momento mais traumático foi quando o filho mais velho chegou em casa e, sem saber do assalto, foi brutalmente espancado. "Você sabe o que é ver seu filho ser espancado na sua frente, sua única filha com uma arma na barriga e você não poder fazer nada? Foi o pior momento da minha vida", disse ela, que também ficou com uma arma apontada em sua cabeça. "Foi muita crueldade. Eles ameaçavam nos matar a todo momento". O filho ficou com sequelas. A coronhada no rosto provocou uma hemorragia no olho. As marcas de sangue ainda estão no piso do imóvel.
O bando levou um Fiat Palio (recuperado dois dias depois), uma moto Falcon, roupas, joias e aparelhos eletrônicos avaliados em mais de R$ 10 mil. "Levaram tudo. Só restou minha fé em Deus". A dona de casa está traumatizada. "Eu não saio mais de casa. Os bandidos estão nas ruas e eu estou presa. Tenho medo".
O psicanalista Antônio César Peron disse que esse tipo de violência causa sérios traumas emocionais. "O sujeito fica entre o medo e a raiva. É colocado no seu maior grau de impotência". Apesar do trauma, o psicanalista aconselha as vítimas a tentarem manter seu ritmo normal de vida. "Dentro da sua condição, ela pode - e deve - voltar a viver". Uma das dicas do profissional é não se trancar em casa e tentar conversar sobre o assunto com especialistas em comportamento humano.
A sensação é de impotência. Os aparatos de segurança não são suficientes para deter os marginais. Evitar horários noturnos e não ficar na rua quando há pouco movimento também não adianta. Os assaltantes agem à luz do dia e não se intimidam com a presença das pessoas. Em apenas três dos dez assaltos registrados desde agosto os policiais conseguiram localizar os bandidos. Em um dos casos o assaltante foi detido, confessou o crime, mas foi liberado por estar fora do flagrante. Só resta a pergunta: o que fazer?
<i>Colaboraram Nelise Luques e Renata Modesto</i>
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.