A Prefeitura de Franca estuda começar até o fim deste ano um trabalho de resgate artístico num lugar que, à primeira vista, causa estranhamento: o Cemitério da Saudade. A ideia consiste em recuperar estátuas e outras peças funerárias de sepulturas que estejam abandonadas no local para preservar seu valor artístico, histórico e cultural. Desde junho, um levantamento no cemitério tem como objetivo identificar quantas sepulturas estão nessas condições. Só na primeira etapa, feita na quadra 1, cerca de 180 foram identificadas. A estimativa é que outras 120 estejam na mesma situação. O Cemitério da Saudade foi fundado em dezembro de 1855. No local há mais de 5,1 mil sepulturas.
Secretário de Administração, Jerônimo Sérgio Pinto, disse que o levantamento tem como objetivo principal manter em ordem um patrimônio público e encontrar pontos abandonados para possível reaproveitamento. Estão entre as alternativas estudadas a liberação do espaço para um novo concessionário ou ainda a limpeza da área. “Vamos primeiro detectar esse pontos abandonados, apresentar ao prefeito, para depois ver qual uso dar”.
Como no cemitério há muitas sepulturas antigas de barões, intelectuais, artistas, políticos e figuras públicas, Jerônimo disse que antes de qualquer decisão levará em conta a análise de peritos e técnicos da área para saber o valor histórico e artístico das peças e túmulos encontrados. “Conforme a avaliação feita, faremos a restauração e estudaremos um local de colocação para essas peças, a fim de preservar a arte e a história do cemitério”, disse o secretário.
Entre as personalidades enterradas no cemitério estão Bonaventura Cariolato, pintor italiano que migrou para o Brasil durante a primeira guerra mundial, e Barão de Franca, primeiro produtor de café da região, vereador e presidente da Câmara Municipal, falecido em 1891.
[FOTO2]
Professora de história da arte e pesquisadora de artes funerárias, Maria Elizia Borges diz que uma das particularidades do Cemitério da Saudade foi reservar as primeiras quadras, do lado esquerdo, apenas para túmulos de crianças. Para ela, todo o contexto, as peças e sepulturas antigas têm mais valor simbólico e social que artístico. “Tudo tem que ser preservado. Se não, perdemos a nossa identidade cultural. Ali existe o registro das pessoas que contribuíram para a construção da cidade. É necessário preservar a memória destas pessoas”, disse a professora.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.