Espaço, a fronteira final... Assim começavam os episódios da série ‘Star Trek - Jornada nas Estrelas’. Era a história de uma das naves espaciais terrestres que exploravam os sistemas solares de nossa galáxia. A humanidade ainda se esforça para sair da Terra. E, enquanto toda nação desenvolvida ou em desenvolvimento está investindo na conquista espacial, o Brasil está finalizando a fronteira final, encerrando mesmo. Atingimos, uma situação quase irreversível. Em dez anos pouco restará.
O INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, principal agente da área espacial brasileira, perderá 300 servidores até o final de 2010, sendo que 170 vão se aposentar os demais são funcionários terceirizados. O CPTEC - Centro de Previsão do Tempo e Estudos Clímaticos, localizado em Cachoeira Paulista, será a unidade mais afetada. Para os próximos cinco anos, cerca de 250 funcionários devem se aposentar. Atualmente, o Inpe possui 1.070 servidores, mas já chegou a ter 1.800. São quase cinqüenta anos de experiência espacial que simplesmente desaparecerá.
O mesmo problema ocorre com o antigo CTA, agora chamado DCTA -Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (mudou o nome de novo, agora "rebaixado" a departamento), também localizado em São José dos Campos, que deve perder cerca de 600 funcionários por aposentadoria. O CTA que já teve cinco mil funcionários, hoje, não chega a quatro mil.
Creio que existam muitos mitos que alguns grupos disseminam entre nossos estadistas com a intenção de sabotar nosso desenvolvimento. Alguns movidos por crenças erradas e outros por má-fé. Questionam a importância e os altos custos da área espacial para um país "pobre". Estes ignoram que somos um país continental e os ganhos que as telecomunicações e o sensoriamento remoto nos trazem. Isso sem falar da previsão de catástrofes naturais e nem considerando o aquecimento global e os asteróides que insistem em cair na Terra e causar destruição de vez em quando.
Há gente que quer usar a verba do espaço na construção de casas populares ou pagamento de bolsas-sociais. Países como os nossos, por exemplo China e Índia, não fazem isso, antes investem e muito no espaço. O atual governo já acordou para o problema, a área espacial era uma das menos valorizadas dos servidores federais, recuperou parcialmente os salários dos funcionários mas ainda estão em segundo plano entre os cientistas e é pior a situação dos tecnologistas, principalmente porque são empregados facilmente nas empresas privadas, embora ao cientista sobre a opção de emigrar.
Há cientistas que crêem que se acabar o desenvolvimento tecnológico espacial, todo o financiamento será distribuído para a Ciência. Essa visão simplista nunca se confirmou e nem vai. Outros afirmam que as empresas privadas podem substituir as instituições governamentais. O pesquisador Hinckel, do INPE, fez uma interessante análise e propõe seguir o resto do mundo com grandes investimento e muitos projetos, fortalecendo as instituições e, por conseguinte, desenvolvendo uma indústria espacial.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista sênior do INPE, professor do Instituto de Ensino Superior de Catanduva
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