Venezuela no Mercosul


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A intransigência ideológica e a incapacidade de certos políticos brasileiros de nortear suas ações dentro de uma pers-pectiva de médio e longo prazos não se manifesta somente no âmbito interno da política nacional mas, também, na maneira como visualizam as relações internacionais. Isso está claro nas manifestações, felizmente isoladas, no Congresso Nacional re-ferente ao ingresso da Venezuela no Mercosul. Existe uma tendência mundial de formação de Blocos Econômicos com o for-talecimento das economias regionais, unindo países que historicamente desenvolve-ram relações e momentos de grandes tensões, entretanto, nem por isso deixaram de "enxergar" seus interesses comuns e, assim, somar esforços e forças para defendê-los. Exemplo maior e indiscutível é o bloco da União Européia que agrega, atualmente, 27 países com histórias totalmente divergentes entre si e, ainda, com enormes assimetrias econômicas e sociais. Basta lembrarmos que as duas maiores guerras mundiais que o mundo já vivenciou surgiram exatamente entre os principais membros desse Bloco. Assim, é inconseqüente e sem visão histórica as manifestações contrárias que alguns Senadores brasileiros fazem à Venezuela no Mercosul. O fato desse país possuir, hoje, um Presidente que desagrada a classe conservadora brasileira e que, ao mesmo tempo, tem surtos de Ditador e neo-imperialista, não anula a importância econômica e comercial que esse país representa para o Brasil e, aqui, nem entrarei em considerações de outra ordem. É óbvio que há sinais evidentes de violação da democracia na Venezuela. Particularmente não concordo com o fechamento de órgãos da imprensa e mesmo com a tumultuada relação existente entre os seus 03 poderes políticos. Mas, se lá há falta de democracia, o que dizer de outros países que temos relações comerciais intensas? Na Argentina, grande parceira econômica, também há perseguição à imprensa opositora por parte da atual Presidente. A China, principal importadora das nossas commodities agrícolas, é rica de história e fatos antidemocráticos. Nos Estados Unidos, no resultado da reeleição do ex-presidente Bush, houve claras evidências de manipulação do resultado eleitoral no estado da Flórida (governado pelo seu irmão), favorecendo-o. Isso não é, também, um atentado contra a democracia? Aqueles (senadores e outros cidadãos brasileiros) que ainda conservam o ranço ideológico e a incapacidade de conviver com as diferenças, devem ainda lembrar que a Venezuela é a terceira economia da America do Sul e tem um PIB de US$ 320 bilhões (2008) e o Brasil tem, com ela, uma relação comercial com saldo superior a US$ 2.1 bi-lhões (nesse ano). Além disso, isolar o país é isolar a oposição existente nele e, isso, não contribuirá para o fortalecimento da sua democracia. Isolando não integramos. Aliás, o Prefeito da Capital Caracas, Antonio Ledezma, tem afirmado a importância, para a oposição, da entrada do seu país no bloco. Finalmente, é bom lembrar que o Brasil não está em posição de rejeitar mercados internacionais e que presidentes e governos, sempre mudarão. Cassiano Pimentel Agente de Exportação e Professor Universitário

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