Bancas de pespontos rejeitam novos pedidos e culpam legislação pelo custo de produção


| Tempo de leitura: 2 min
<b>PRODUÇÃO NO LIMITE</B> - Proprietário de uma banca no Residencial São Tomaz, José Costa da Silva trabalha com 39 funcionários e 400 pares dia. Apesar da procura, ele tem rejeitado serviço.
<b>PRODUÇÃO NO LIMITE</B> - Proprietário de uma banca no Residencial São Tomaz, José Costa da Silva trabalha com 39 funcionários e 400 pares dia. Apesar da procura, ele tem rejeitado serviço.
Com o aumento de pedidos nas fábricas por causa da aproximação do Natal, a procura por bancas para terceirizar o serviço de pesponto está em alta em Franca. O problema é que, diferente de anos anteriores, as empresas calçadistas têm enfrentado dificuldades para encontrar quem aceite as encomendas. A burocracia com a legalização das bancas exigida pela maioria das fábricas e pelo Ministério do Trabalho, os custos de manter empregados registrados e as dificuldades que a crise financeira impôs fizeram com que muitas bancas não crescessem e outras até fechassem as portas. Diretora da Camargo Calçados, Rosemary Camargo Dias, busca por uma banca com capacidade para 70 pares dia há, pelo menos, dez dias. A fábrica tem uma produção de 200 pares dia, o dobro de meses anteriores e precisa da parceria para conseguir dar conta de entregar os pedidos a tempo. “O longo do ano foi péssimo. Agora melhorou, mas pedi para o representante parar de vender porque não estou encontrando banca. Temos que entregar na data certa, senão cancelam o pedido”, disse. Marcilene Aparecida Freitas, da Ferribult, também garimpa uma banca de pesponto, mas passados 15 dias ainda não encontrou. Ela precisa de três unidades que produzam, em média, 72 pares por dia cada. “Mesmo com anúncios diários com a oferta do serviço, não tenho encontrado respostas positivas”. Um levantamento do Comércio da Franca identificou pelo menos 20 fábricas interessadas em contratar bancas. Para Lázaro Antônio Reinaldi, gestor do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca), as bancas aos poucos estão desaparecendo. “Muitos donos de bancas estão mudando de setor”. As justificativas para quem deixou de tocar uma banca são muitas. Vão desde as despesas excessivas com material (antigamente a matéria-prima era fornecida pela fábrica contratante), encargos trabalhistas (hoje o Ministério do Trabalho exerce uma fiscalização cerrada sobre o setor) a até o baixo valor pago pelo serviço: em média R$ 5 o par. Não há dados estatísticos de quantas bancas estariam funcionando hoje em Franca, mas o ex-presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, disse que em contato com as empresas da cidade tem percebido uma inversão no setor de pespontos. “Sem apoio, as bancas estão retornando para dentro das fábricas. As exigências legais são muitas para quem decide se manter no negócio, acaba não compensando”. <i>Colaborou Renata Modesto</i>

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários