Peço hoje licença ao meu editor Luiz Neto para entrar em assunto mais de sua seara, treinado cerimonialista. A ele caberia com mais brilho expressar-se sobre o tema de que hoje cuidarei. Aproveito o gancho de uma nova lei sancionada pelo governador José Serra e publicada no DO "Diário Oficial" em 8 de outubro. A autoria é da deputada Vanessa Damo (PV) e obriga empresas a entregar bens vendidos com hora marcada e prazo estabelecido com o aprazamento também de período, – manhã, tarde ou noite. O não cumprimento implica em sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor. A lei alcança também prestadores de serviços, TV a cabo, telefonia, marceneiros, eletricistas e outros.
O fato pode – dirão alguns – não ter relação com a queixa que vimos alimentando a longo tempo, no entanto, seguro está que a lei, ao tratar de melhorar a vida do consumidor, revela semelhança. Os acontecimentos se arrolam no mesmo campo de empresas e pessoas: educação e ordenamento dos deveres nas relações produtoras de refinamento arraigando o hábito da evolução de cultura de um povo.
Começarei com a dureza de uma pergunta: onde estarão escondidas as regras de conduta das pessoas no tocante a – não gosto da palavra – etiqueta? Aprecio sim, os gestos educados, namorar a vida e pessoas sem conotação sexual – como disse Danuza Leão – mas com ela, a conotação, melhor ainda. "Namorai-vos uns aos outros" com gesto, atitude e palavra, faz aparecer o refinamento e melhorar a vida.
Eu frequento uma loja de presentes e uma floricultura, base solida de minha alegria ao poder demonstrar meu afeto e carinho a minha infinidade de namoros. Somos eu e Thereza afeitos em mandar flores não só pelo fato de agradar pessoas, mas, muito mais, por agradar nosso íntimo regozijando nosso espírito. Aos convites de casamento, comparecendo ou não, sempre cumprimos o ritual educado de enviar felicitações sem considerar altos ou baixos valores, pois, para nos importa o significado do acontecimento com a sinceridade que sentimos ao externar nosso desejo. Lamentavelmente a velocidade do mundo moderno – o que não justifica – impede as pessoas de acusar o recebimento da modesta ou valiosa lembrança que lhe fora enviada, fato gerador de uma justa interrogação de quem presenteia: não teria sido entregue o presente? Contata-se assim a falta de polimento em nossa sociedade eximindo-se do dever de cumprir regras de boa educação. Acrescente-se como falta de refinamento chegar atrasado aos eventos, não confirmar presença absolutamente necessária para anfitriões. Inclua-se a falta de ordenamento dos estabelecimentos especializados em presentes que nunca documentam a entrega das encomendas de seus clientes aos por eles mimoseados.
Há muito venho sugerindo a idônea empresa em que me sirvo para colher assinatura dos agraciados enviando-os pelo correio a um ínfimo custo de sessenta centavos, no entanto, nos muitos anos que a freqüento regularmente, não houve atenção ao sugerido. A atitude traria perfeição ao seu serviço e agrado a sua clientela para redundar em crescimento de vendas. Para tristeza de muitos tem faltado no País, especialmente na educação e cultura, atitude a minimizar distorções nas relações humanas.
Encerro confessando: nos últimos anos indo ou não a casamentos, recebi há quatro anos mais ou menos, – único –, simpático, bonito, afetuoso e gentilíssimo cartão dos noivos Raquel Mariano Prior e Ulisses.
Garcia Netto
Jornalista
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