Os últimos 30 dias foram de muita angústia e ansiedade para a estudante de biologia Gabriela Souza Ferreira, que mora no Jardim Líbano. No final de setembro, ela percebeu que um de seus cães, chamado “Perré”, havia desaparecido de casa. Ao notar a fuga do vira-latas, ela iniciou uma verdadeira cruzada pela cidade para tentar encontrar o animal. Além de percorrer por diversas vezes as ruas do Jardim do Líbano, bairro onde mora, Gabriela colocou anúncios em rádios e jornais para tentar recuperar Perré, que foi procurado, sem sucesso, até no Canil Municipal.
A busca de Gabriela por seu cão desaparecido terminou na noite da última quarta-feira com uma infeliz coincidência. Ao passar por um laboratório do curso de Medicina Veterinária na Unifran para visitar uma amiga, Gabriela, que estava acompanhada de seu irmão, encontrou o seu cachorro morto dentro de um tanque de formol junto com outros cães, que seriam utilizados para atividades práticas em aulas de anatomia dos alunos. Para ter certeza de que se tratava de Perré, a estudante fez várias fotografias do animal com seu telefone celular e mostrou a seus familiares, que confirmaram se tratar do cão desaparecido.
Indignada com a morte de Perré, Gabriela procurou a responsável pelo laboratório, que lhe informou que o cachorro havia sido enviado já morto ao local por funcionários da Prefeitura. “Eu não entendo como isso foi acontecer porque a Unifran é muito longe da minha casa e duvido que ele fosse sozinho até lá. Alguém o capturou e depois sacrificou. Sei que nada vai trazer ele de volta, mas quero evitar que isso se repita com outras pessoas”, disse a estudante.
Sem se convencer com a justificativa recebida, ela procurou a Polícia Civil para fazer um boletim de ocorrência para averiguar a possível ocorrência de maus tratos ao cão, uma vez que desde abril de 2008 uma lei estadual promulgada pelo governador José Serra (PSDB) proíbe o sacrifício de animais capturados pela carrocinha.
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Procurado pela reportagem na manhã de ontem, Fernando Baldochi, chefe de Vigilância em Saúde do município, disse que o cão não foi sacrificado pela Prefeitura. Ele reafirmou que o trabalho da carrocinha foi suspenso em 2008 em obediência à nova legislação. A diretora do curso de Medicina Veterinária da Unifran disse que os animais já chegaram mortos ao laboratório (leia mais nos apoios).
Em julho de 2009, a Prefeitura anunciou a criação de um plano para promover a castração dos animais encontrados nas ruas da cidade, mas o processo de licitação para escolher a clínica veterinária que ficaria responsável pelas cirurgias ainda não foi aberto.
Cachorro ataca criança de nove anos no Santa Hilda: <a target="_blank" href="http://gcnvaz.wordpress.com"><b>Blog do Vaz</b>.
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