Com certeza, alguma vez na vida, você já ficou tão furioso com o celular que não funcionava que teve vontade de jogá-lo longe. Pois saiba você que em algum lugar do Brasil isso dá até prêmio. E acredite: um francano é bicampeão de arremessos mais distantes feitos com os aparelhos. Você tem um palpite de quantos metros atingiria se arremessasse seu telefone? Pois Ricardo Pires Garcia, 28, que nasceu em Franca e hoje mora em Foz do Iguaçu, no Paraná, arremessou o seu a 87,44 metros. É como se ele parasse em uma lateral do gramado do Maracanã, no Rio de Janeiro, arremessasse o aparelho e quase atingisse o outro lado do campo. E olha que ele nem estava com raiva no momento. Participava do 2º Campeonato Sul-americano de Celular, no dia 3 deste mês. Como prêmio, Ricardo faturou um aparelho novo.
O torneio de arremessos de celulares foi inspirado numa competição semelhante realizada na Finlândia há dez anos. Em Foz do Iguaçu, foi promovido pela primeira vez em 2008. É organizado pela Associação Recreativa e Esportiva da Segurança Empresarial de Itaipu, com apoio da Usina Itaipu Binacional, onde o francano trabalha. Ele morou em Franca até os 22 anos e depois de fazer o curso técnico em eletrotécnica na Escola Industrial se mudou para o Paraná. Foi trabalhar e descobriu um “esporte”. O jovem participou das duas edições do Campeonato Sul-americano de Arremesso de Celular. Neste ano, bateu a própria marca. Atingiu 87,44 metros contra os 87,23 metros em 2008. Ricardo ficou próximo da maior marca no mundo. O recordista da modalidade, na Finlândia, arremessou o telefone a 89 metros.
Ricardo não treinou para participar dos torneios. Levou um celular velho que estava encostado na gaveta e foi o campeão das duas edições. Ele acha que um hábito da infância o ajudou no bom desempenho. “Meu pai era pedreiro e eu o ajudava nas obras. Quando tinha tempo vago, ficava atirando pedras. Acho que acabou ajudando na competição”, disse ele, que decidiu participar da disputa como forma de preservar o meio ambiente. Os campeonatos são realizados para evitar descarte de celulares em locais indevidos, pois eles possuem materiais tóxicos que podem contaminar o solo e lençol freático. As baterias são retiradas e encaminhadas para reciclagem e os celulares doados para a Cooperativa dos Agentes Ambientais após os torneios. Neste ano, foram arremessados 120 celulares. O objetivo de Ricardo Garcia agora é bater o recorde mundial de arremesso.
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