Brigas dentro ou fora da escola se tornaram uma situação comum na visão dos alunos. No dia 8 de outubro, a reportagem conversou com um grupo de amigos que se preparava para entrar na Escola “Antônio Fachada”, no Parque Vicente Leporace. Dois rapazes e quatro moças relataram haver brigas no pátio da unidade praticamente toda semana. Uma das alunas contou, com muita naturalidade, uma situação na qual ela se envolveu e que virou caso de polícia. A jovem de 18 anos se irritou com uma colega de sala, de 16 anos, e arremessou uma cadeira contra a outra aluna na presença do professor. “A cadeira só não pegou nela porque os meninos entraram na frente e pegaram”.
A discussão aconteceu no dia 30 de setembro e começou por motivo banal. A adolescente teria falado para a professora que a colega a havia xingado. “Era mentira. Eu brinquei com minha amiga. Fiquei muito brava e parti para cima dela. Não me arrependo. Se precisar faço de novo”, contou a jovem que perdeu a calma e, como punição, ficou três dias suspensa das aulas.
Enquanto ela acha natural a situação, vizinhos da escola não se conformam com os palavrões que ouvem vindos de lá e com o que presenciam na saída dos alunos. A sapateira Rosana Roberto Garcia mora ao lado da “Antônio Fachada” e disse não aguentar mais a falta de educação de alguns alunos. “Já presenciei muitas brigas no portão. Como se isso não bastasse, os estudantes que estão dentro da escola conseguem ver o meu quintal e xingam a todos aqui em casa. Conversei com o diretor e ele disse que poderia ir à sala, falar com os alunos, mas que não iria adiantar”, reclamou.
A aposentada Maria Conceição de Jesus presenciou situação ainda mais grave. Ela vende balas em um pequeno cômodo próximo à escola. Há pouco mais de duas semanas, dois garotos do 5º ano perguntaram se ela havia visto uma faca sendo jogada de dentro para fora da escola. “Fiquei assustada. Eles disseram que um menino jogou a faca no terreno ao lado”. Conceição interrogou os garotos para descobrir o que havia acontecido. Um deles garantiu que um colega ameaçou o outro de morte, mas acabou desistindo e jogou a faca fora. “Ajudei eles a procurar, mas não encontramos”, disse ela, que não procurou a direção da escola para relatar o fato.
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