Deus nos concede um novo dia e uma nova semana, a última do mês de outubro, o mês das missões. As celebrações eucarísticas nas várias igrejas do mundo trazem trechos da Palavra de Deus, a luz que precisamos encontrar: Jeremias 31; Hebreus 5 e São Marcos 10.
O profeta Jeremias anuncia que Deus está prestes a realizar um grande feito: trará de volta para a pátria os israelitas exilados em Nínive. Imagina uma caravana repleta de pessoas que aparentemente não possuem nenhum atrativo: cegos, coxos, mulheres grávidas, etc. Qual a mensagem que recebemos nesta leitura?
Deus não é igual aos homens que se interessam só pelos mais fortes e pelos mais saudáveis e desprezam os mais fracos e indefesos. Ele não abandona ninguém. Preocupa-se com as necessidades de cada um e mostra desvelo especial pelos mais pobres.
Esses exilados, impossibilitados de superar as próprias condições, de encontrar o rumo da salvação, de enfrentar uma longa viagem, representam todos aqueles que Deus chama de escravidão do pecado para uma vida nova. As palavras de conforto do profeta nos devem trazer à memória que o caminho encetado no batismo é, sem dúvida, comprometedor, mas ao mesmo tempo está repleto de muitas alegrias. Não sejamos pessimistas, valorizemos também as alegrias e as vitórias e não demos valor só aos acertos e desacertos que praticamos.
A Carta aos Hebreus foi escrita para os cristãos de origem judaica, que sem dúvida aderiram à fé em Cristo mas que, ao mesmo tempo, sentem saudade profunda do templo de Jerusalém e das cerimônias solenes que ali se realizavam.
A tentação de voltar às práticas da religião antiga é muito forte nessas pessoas. O autor da carta (um cristão muito instruído nas Escrituras e nas tradições do povo de Israel) responde a esses problemas explicando aos seus irmãos de fé que Cristo é um sacerdote infinitamente superior aos da Antiga Aliança.
A leitura contém uma mensagem muito densa para os cristãos provenientes do paganismo que sentem saudade intensa dos rituais antigos, das celebrações em honra dos seus antepassados.
Devem lembrar que a religião cristã não descarta nada daquilo que é bonito, bom e positivo na própria cultura. A leitura, porém, contém uma mensagem também para os cristãos do mundo ocidental que sentem ainda grande para despojar-se de uma mentalidade pré-conciliar, permeados ainda de sentimentos nostálgicos pelas celebrações litúrgicas em latim, pelas práticas de devoção, pelos catecismos do início. Convida-os a se abrirem corajosamente às novidades impulsionadas pelo Espírito.
No trecho do evangelho, Jesus inicia sua subida para a cidade santa: Jerusalém. Agora, encontra-se em Jericó e ali cura outro cego: Bartimeu. A situação de Bartimeu revela a condição de todos que não tem nenhum projeto novo, aqueles que não querem ou não se deixam iluminar por Jesus. O primeiro passo em direção à própria cura acontece quando se toma consciência da própria situação.
Bartimeu percebe dentro de si que alguma coisa está para mudar na sua vida: pode encontrar-se com o Filho de Davi. Ele então supera o medo e o acanhamento. Começa a gritar, pede ajuda. A sua experiência se repete com qualquer pessoa que, sentindo-se insatisfeita pela vida que está levando, procura desesperadamente a luz. E o primeiro passo é encontrar-se com aqueles que já seguem o Mestre.
Jesus escuta o grito de Bartimeu e pede que seja trazido à sua presença. O seu chamado não chega diretamente ao cego; alguém foi solicitado a transmiti-lo. Esses intermediários representam os autênticos seguidores de Jesus. Por fim, o cego dá um pulo, joga o manto para longe e corre ao encontro daquele que pode lhe restituir a vista.
Para os israelitas o manto era considerado o único objeto possuído pelo pobre. O gesto de desfazer-se dele indica o desapego completo, decidido e radical da situação em que vivera até então. A vida que levara até essa hora já não lhe interessa mais.
Jesus trava, no final do trecho, diálogo com o cego. O diálogo simboliza a vida nova que, com Cristo, Bartimeu deve assumir: deve rever muitos hábitos, muitos comportamentos, muitas amizades, questionando a forma de administrar a própria vida, o próprio tempo, os próprios bens.
O que fica para nossa vida é: quem se encontra com Cristo, quem recebe sua luz, naturalmente enxerga a vida de forma diferente, mudando naturalmente seu modo de ser.
<b>PORTAS ABERTAS</b>
Com este título este Comércio anunciou a decisão do Vaticano em publicar uma Constituição Apostólica que trata da acolhida dos anglicanos que desejam aderir ao catolicismo, individualmente ou em grupos. Este documento é fruto de anos de diálogo entre católicos e anglicanos e manifesta que nas duas tradições eclesiais há significativas convergências e consensos, sobretudo em questões espirituais, litúrgicas e pastorais.
<b>MISSAS NO DIA DE FINADOS</b>
Serão celebradas missas no Dia de Finados, nos cemitérios, nestes horários: 8 horas, Cemitério Jardim das Oliveiras; 8 horas, Cemitério Santo Agostinho; 9 horas, Cemitério da Saudade.
<b>José Geraldo Segantin</b>
<i>Pároco da Catedral de Franca</i>
segantin@comerciodafranca.com.br
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