Mulher de 35 anos quer se livrar de 100 quilos


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<b>À ESPERA</B> - Isabel Cristina Luciano mostra exames em cima de sua cama. Ela engordou mais de cem quilos depois que o marido foi embora há dez anos. Agora, na fila do SUS para fazer cirurgia de redução de est&oc
<b>À ESPERA</B> - Isabel Cristina Luciano mostra exames em cima de sua cama. Ela engordou mais de cem quilos depois que o marido foi embora há dez anos. Agora, na fila do SUS para fazer cirurgia de redução de est&oc
Depois de ser abandonada pelo marido, pai de seus dois filhos, Isabel Cristina Luciano engordou mais de cem quilos. A separação aconteceu há dez anos. O caçula tinha apenas sete meses e a filha mais velha, cinco anos. Isabel pesava 75 quilos e usava manequim 48. Ela tem estatura baixa, mede 1,48 metro, e pesa 178 quilos. Não consegue mais usar todos os tipos de roupas. Não veste lingeries nem calças. Usa somente vestidos e camisetas mais compridas. Isabel tem apenas 35 anos e quer ter uma vida ativa. Sonha voltar ao peso anterior, conseguir um emprego e oferecer uma vida melhor aos filhos. “A gordura me impede de trabalhar. Não tenho preguiça e quero um trabalho. Meu sonho é emagrecer porque do jeito que estou não posso permanecer”. O peso transformou a vida de Isabel num martírio. Ela não consegue lavar as partes íntimas nem se levantar sozinha do sofá ou da cama. A filha de 16 anos é quem a ajuda nestas tarefas. “Quando acordo no meio da noite com falta de ar, grito pela minha menina para me levantar. Ela perdeu três anos da escola porque tinha de ficar me ajudando”. A gordura na região da barriga provoca assaduras que deixam a pele em carne viva. No calor, Isabel diz que gasta um tubo de pomada para passar nas feridas por dia. “Chego a tomar seis banhos por dia porque as assaduras fedem, dão muito mau cheiro”, disse. A obesidade também causa outros problemas à saúde dela. Cansaço, batedeira e inchaço são corriqueiros. Isabel mal consegue dormir. “Não sei mais o que é ter uma noite inteira de sono. Deito na cama e fico virando para os lados com falta de ar. Tem vezes que levanto e fico sentada lá fora”. A estrutura corporal de Isabel está comprometendo os órgãos internos. “O médico disse que a gordura está tampando meus rins. Isso deixa minha boca seca demais e as pernas muito inchadas. Também fico com dores nas costas. Não estou conseguindo andar até a esquina porque me dá batedeira”. Isabel diz que a obesidade ainda a deixa constrangida. Não anda de ônibus e se sente envergonhada nas ruas “porque todo mundo fica olhando”. Ela acredita que já perdeu oportunidades de emprego por causa do peso. “As pessoas não me dão serviço porque acham que não dou mais conta de trabalhar. Mas eu quero e preciso trabalhar para dar uma vida melhor para meus filhos”, disse Isabel, que vendia salgados por encomenda. <b>PARA RESOLVER</b> Isabel diz que já fez dietas para perder peso, mas não conseguiu. Ela espera fazer uma cirurgia de redução de estômago para emagrecer. Já deu entrada para realizar o procedimento pelo SUS, mas não sabe quando será atendida. Pacientes de Franca são encaminhados para o Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto. “Essa é a segunda vez que entro na fila”. A operação na rede particular custa em média R$ 15 mil. Isabel não tem condições de pagar o procedimento. “Vivo com R$ 123 do Bolsa Família e de doações da igreja e das pessoas”. O desejo dela é conseguir apoio de profissionais. “Não tenho como pagar um especialista para me ajudar a emagrecer. Mas como não consegui a cirurgia na rede pública, resolvi pedir para alguém me ajudar. Realmente preciso resolver meu peso. Minha situação não é fácil”, disse, chorando. Isabel já enviou cartas para programas do Gugu e Ratinho para ganhar a cirurgia, mas não obteve respostas. “Tenho medo de morrer e deixar meus filhos”.

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