Mais que médicos, quase membros da família


| Tempo de leitura: 3 min
<b>‘É GRATIFICANTE’</b> - O médico oncologista Reynaldo Sant’Anna organiza as fotos e cartinhas que recebeu dos pacientes em seu consultório no Hospital do Câncer de Franca
<b>‘É GRATIFICANTE’</b> - O médico oncologista Reynaldo Sant’Anna organiza as fotos e cartinhas que recebeu dos pacientes em seu consultório no Hospital do Câncer de Franca
“Para doutor Reynaldo. Você judiou de mim, mas valeu a pena. Um dia você vai ficar velho e eu vou ser seu médico”. Em outra cartinha, uma paciente escreveu: “Tio Reynaldo, que Deus te abençoe e te ilumine para que você possa realizar seus sonhos”. As mensagens são apenas duas de outras tantas expostas no consultório do oncologista Reynaldo Sant’Anna. Também é apenas uma demonstração dos vínculos criados entre o médico e seus pacientes no Hospital do Câncer de Franca. Reynaldo trata crianças com câncer há 15 anos. Todos os pacientes da ala infantil do HC passam em suas mãos. Atualmente são 57 crianças sob seus cuidados. Ele sabe o nome completo de todas e se dedica a cada uma como se fossem de sua família. “Trato como faria para um filho meu. Oriento muito, puxo orelha quando precisa, porque me preocupo e quero o melhor para eles”. Para o especialista, que já chorou pela perda de pacientes, o envolvimento emocional com eles é inevitável. “Ver uma criança que ainda nem viveu com uma doença grave e que vai falecer não é fácil. Crio mecanismos de defesa para não morrer junto”. Dos casos que trata, 70% terão sucesso, outros 30% não. É um índice alto de mortes, por isso Reynaldo comemora diariamente as vidas que ajuda a salvar e tira lições das perdas. “Aprendo muito com meus pacientes. Uma das maiores lições que tive foi com uma criança de 3 anos que morreu recentemente. A mãe demonstrou um entendimento maduro do que é a vida e a morte, que estamos aqui de passagem. Alguns ficam mais tempo, outros menos, mas todo mundo deixa um legado”. Reynaldo integra a lista dos 626 médicos de Franca que comemoram seu dia neste domingo, 18. A ligação com pacientes não é exclusividade dele. Márcia Beani Barcellos está com 40 anos e dedicou quase metade de sua vida à pediatria. Ela é uma apaixonada pelos pacientes. “Escolhi a pediatria porque as crianças são frágeis e inocentes, além de se recuperarem de forma surpreendente. Além disso, o índice de mortalidade na infância é pequeno se comparado ao de idosos”. Em 20 anos de medicina, Márcia enfrentou a morte de apenas dois pacientes. A de uma menina de 2 anos com desnutrição, no início da carreira, e a de Marcela, bebê que nasceu sem cérebro em Patrocínio Paulista e morreu em agosto de 2008, com um ano e oito meses. O vínculo criado entre Márcia, Marcela e os familiares ficou publicamente conhecido. Durante os cinco meses que a menina permaneceu na Santa Casa, a médica a visitou praticamente todos os dias. Após a alta, também ia até a casa da família. Márcia diz que a história de Marcela a fez mudar a maneira de enxergar a vida e a própria profissão. Ela se lembrou da primeira visita feita à criança, ainda no hospital. Marcela já estava no quarto, sendo amamentada pela mãe, Cacilda Galante. “Nunca tinha visto um amor como aquele. As mães de crianças com doenças graves, principalmente como a da Marcela, que era vista a olho nu, costumam se desesperar. Mas a Cacilda estava com a Marcela no peito e a admirava como se fosse um bebê perfeito. A partir dessa visita, comecei a ver a Marcela de forma diferente”. Para a pediatra, a história da criança que viveria apenas algumas horas e quase completou dois anos foi um milagre. “A medicina é sacerdócio, mas a fé, a compaixão e o respeito pela vida devem sempre existir. Não dá para fazer prognósticos”. Saber a profissão do paciente, sua rotina, como tem se sentido e como ele cuida de sua saúde é um dos diferencias do médico oftalmologista Plínio Cantieri Murta Vieira, 37. Formado há 11 anos, o especialista acredita que esse tratamento ajuda a humanizar o atendimento e favorece um diagnóstico mais preciso. “Professores antigos sempre falam que examina melhor quem examina mais. E examina mais quem examina com mais profundidade”. O interesse pelo histórico do paciente faz com que as consultas de Plínio durem até três horas. As mais rápidas giram em torno de 20, 25 minutos.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários