O caderno Mais, da Folha de São Paulo, trouxe, em 4 de outubro, interessante texto tratando de ética no Brasil. Pelo que foi apresentado, tudo é possível neste País, desde mudança de identidade até ganho fácil e imediato, passando pela compra de votos e desaguando no chamado expediente ilícito, pelo qual alguns parlamentares pagavam suas empregadas domésticas com a verba de seus gabinetes. Aborda ainda casos de políticos que, a pretexto de inauguração de obras, mais não fazem do que falar de si mesmos já que são candidatos a cargos mais elevados, sempre à custa do dinheiro público.
Ante a estarrecedora porcentagem de 79% dos que admitem já terem vendido o voto, pergunta-se: de onde vem tanta corrupção? Como se explica o desejo de levar vantagem que, parece, toma conta dos brasileiros? É claro que não há uma só explicação! Em tese, poderíamos remontar à própria descoberta do Brasil, quando vieram para cá portugueses dispostos a enriquecerem-se e retornar à metrópole. Para tanto, valia qualquer expediente.
Pode-se alegar que a corrupção é fenômeno mundial e que, por isso, o Brasil não estaria vacinado contra essa praga. No entanto, parece que aqui, a pandemia tomou conta de todos, até porque há o famoso jeitinho brasileiro, pelo qual tudo se arruma, tudo se ajeita, desde que se providencie a inevitável gorjeta. Há, ainda, aquela famosa `lei` pela qual o brasileiro `gosta de levar vantagem`! Verificamos assim um `salve-se quem puder`, tão individualista quanto pernicioso.
Se fizermos uma avaliação das consequências de tal filosofia, constataremos que todos saímos perdendo em semelhante clima. Uns perdem materialmente, outros moralmente. É claro que compreendemos que tudo está sob o domínio das Leis de Deus! Nada ocorre sem que haja consequências. Os que sofrem mais agudamente as conseqüências sofrem porque merecem, cabendo-nos fazer o que for possível para ajudá-los.
Assim, tudo se encaixa. Porém, é preciso que todos nos conscientizemos de que é preciso derrogar a lei da vantagem provisória – diríamos, ilusória –, pela verdadeira vantagem. Derrogar a competição e instituir a colaboração, mas, não esperemos que os outros mudem. Mudemos nós! E o mundo mudará! Acabemos nós com esse hábito que está arraigado na nossa cultura e que é o de levar vantagem a qualquer preço. Aprendamos definitivamente com o Cristo que `se pedirem a túnica, demos também, a capa. Se pedirem para andarmos mil passos, andemos mais dois mil". É a violência da não violência, da qual Gandhi foi o maior discípulo.
O principal sentido da mensagem do Cristo é a visão de que todos somos irmãos e que, se um é prejudicado, todos somos prejudicados. Perde a humanidade como um todo. É hora de estabelecermos como legenda `fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem`, conforme nos ensinou o nosso Mestre Jesus, que todos falamos seguir e que os atos desmentem nossa adesão à sua mensagem.
A hora não é de falar. É de fazer. É preciso tirar o Cristo da cruz e colocá-lo nas nossas atitudes, pensamentos, sentimentos. Por Ele somos todos irmãos.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e membro do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)
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