Rede pública tem apenas 504 professores jovens


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<b>POR PAIXÃO</B> - O professor Ricardo Ferrarez entre livros após mais um dia de aula. Escolha da profissão foi por vocação.
<b>POR PAIXÃO</B> - O professor Ricardo Ferrarez entre livros após mais um dia de aula. Escolha da profissão foi por vocação.
“Qual é, na sua opinião, o profissional responsável pelo desenvolvimento?” Uma campanha veiculada pelo governo federal nas últimas semanas mostra esta pergunta sendo feita em sete países que tiveram uma grande capacidade de se desenvolver nos últimos 30 anos e, a resposta, em diversos idiomas, é unânime: o professor. A preocupação do governo - que desde agosto coloca em prática um pacote de campanhas de valorização dos profissionais - em incentivar os brasileiros a se tornarem professores tem uma explicação. Pelo menos em Franca. Na cidade, o número de jovens lecionando nas escolas públicas é muito inferior ao de profissionais com mais de 40 anos. Levantamento feito pelas Secretarias de Educação (municipal e estadual) mostra que dos 3.671 professores da cidade, apenas 504 têm menos de 30 anos. A crescente violência em sala de aula, os salários pouco atraente e condições de trabalho questionáveis são algumas das explicações apontadas por profissionais ligados à área da Educação para a falta de interesse dos jovens pela carreira. “O professor atualmente enfrenta muitos problemas em sala de aula. Não há respeito para com o profissional”, disse o mestre em Educação do curso de Pedagogia da Unifran (Universidade de Franca), Marcos Silvestre Gera. Para ele, os jovens profissionais de hoje não querem enfrentar um grande contingente de alunos em sala de aula, com falta de respeito, de reconhecimento e com o risco de sofrer violências. A impressão do pedagogo encontra respaldo nos fatos. Somente nos últimos 20 dias quatro casos de ameaça contra professores foram registrados na cidade. Num deles, no Jardim Redentor, um aluno encostou um revólver de brinquedo na profissional. Professora de português de uma escola estadual da cidade, que pediu para não ser identificada, disse que hoje só escolhe a profissão quem tem vocação. “O salário não é atrativo e o Estado não dá autonomia para o professor em sala de aula. Trabalho porque gosto, tenho paixão em ensinar”. A professora tem 26 anos e leciona há três anos. Secretário de Finanças da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) de Franca, Luiz Gonzaga José, disse que em algumas áreas como física e química já é notório a falta de profissionais. “A profissão é bastante desvalorizada e isso afasta possíveis interessados, tanto que temos carência nessas áreas”. Segundo dados da Apeoesp, o salário base de um professor em começo de carreira é de R$ 685 por 24 horas/aulas em sala e 30 horas fora. Com mais as gratificações, os ganhos se aproximam dos R$ 900. Apesar do cenário desfavorável, a secretária municipal de Educação de Franca, Leila Haddad, diz que ainda não sabe qual a razão para o desinteresse. “Não sei o porquê desse comportamento. Inclusive vamos analisar para tentar entender. A gente faz concursos, chama a atenção e o número continua pequeno. Acho que só se interessa aquela moça que tem a profissão correndo no sangue”. Enquanto novas vocações não surgem, o futuro se mostra preocupante. Na Secretaria Estadual de Educação são 2.399 professores em atuação na regional de Franca. Desse contingente, 632 docentes têm mais de 50 anos e estão próximos da aposentadoria, mas continuam em sala de aula. No curso de pedagogia da Unifran (Universidade de Franca), exigência para professores que pretendem dar aulas para educação infantil, o número de estudantes também caiu. Em 2003, a universidade tinha 120 alunos no 1º ano em duas turmas. Em 2009 há apenas uma única turma com 70 estudantes. Para a diretora do curso, Zulmira Guasti Lima, houve um êxodo para os cursos à distância. Na contramão, a coordenadora do curso de pedagogia à distância, Carmen Lúcia Conti, diz que as suas alunas têm perfil diferente do curso presencial, portanto não há a migração. “São profissionais que estão atuando, não tem relação”. <b>SEM INFORMAÇÕES</b> Procurada nos últimos dois dias, a dirigente regional de ensino de Franca, Ivani Marchesi, não foi encontrada para falar do assunto.

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