Quando a gente já começava a acreditar que o Brasil passou galhardamente pela crise que assolou o mundo e é um exemplo de economia sólida, eis que vem a reviravolta; o Ministro da Fazenda vai à televisão para anunciar que o dinheiro cobrado a mais do Imposto de Renda somente será devolvido no ano que vem e em módicas parcelas.
Segundo Guido Mantega, o governo irá reter a devolução do Imposto de Renda como forma de compensar a queda de arrecadação ocorrida no período da crise da roubalheira internacional. Trata-se de uma crueldade bem ao estilo dos dois Fernandos, o Collor e o Henrique Cardoso. Afinal, dinheiro não deveria ser problema para um governo que vai sediar Copa do Mundo, Olimpíadas e ainda empresta dinheiro ao FMI.
Já é uma excrescência termos de pagar mais do que devemos ao Imposto de Renda. Em cima disso tudo vem agora essa notícia de que nosso rico dinheirinho, que o governo movimentou como quis durante meses, não nos será mais devolvido nesse exercício pois o caixa anda baixo e a saída, como sempre, é meter a mão no bolso do cidadão. Guardando as proporções é o mesmo estilo do sequestro patrocinado por Collor quando assumiu o governo e nos deixou a todos de calças na mão.
E o contribuinte que precisou recorrer ao banco para antecipar a restituição do Imposto de Renda deste ano? Sem essa receita, terá que fazer uma engenharia financeira. Usar o 13º salário, por exemplo, e cortar drasticamente as despesas para quitar a dívida. Ou então procurar a instituição e renegociar um prazo maior para liquidar o débito. Nesse caso, pagará mais juros.
São medidas abusivas tomadas contra a classe média que não tem quem faça lobby por ela. É reflexo de um modelo onde, ao invés de o Estado existir para servir à sociedade é a sociedade que existe para servir ao Estado.
Saímos da crise, mas a que preço? Hoje o próprio governo se vê obrigado a passar calote em todos aqueles que atenderam os prazos do Imposto de Renda para manter sua farra financeira já que em nenhum momento se viu a mínima preocupação de derrubar custos, de diminuir o buraco causado pela máquina administrativa que gasta como primeiro mundo e recolhe como terceiro. Se o caixa anda cambaleando isso se deve à pirotécnica financeira feita pela nossa equipe econômica que liberou do IPI veículos automotores, a linha branca e matérias de construção só para criar uma falsa impressão de grandeza e estabilidade.
Esse dinheirinho que o governo recolheu a mais dos assalariados serviria para incrementar as vendas de fim de ano, gerando novas oportunidades de trabalho. Só que ficará retido não se sabe até quando. Trata-se de uma via de mão única porque o contribuinte que tem algo a pagar, ai dele se não o fizer no dia determinado.
Às vésperas de uma eleição, quando o Ibope de Lula chega aos oitenta pontos, é possível até que essa medida seja derrubada e o governo encontre outro alvo que não o bolso do consumidor, mas o estrago já está feito. Esse calote mostra nossa face real, longe do discurso dos publicitários e dos ideólogos do governo. A crise nos pegou sim, porque nenhum país saiu imune daquele tsunami financeiro. Apenas maquiamos a realidade que agora teima em bater à nossa porta vestida de leão, e pior ainda, um leão que sabe cobrar mas não sabe pagar, e que não honra seus compromissos financeiros devolvendo o que pagamos indevidamente a mais.
<B>OPINIÃO</b>
Certa vez o pintor Pablo Picasso mostrou um de seus quadros ao escultor Auguste Rodin. E perguntou: `Você gosta? Ainda não o assinei, pois queria primeiro a sua opinião`. Rodin pegou o quadro, olhou-o, inverteu lateralmente a sua posição, de um jeito e de outro, girou-o diante da vista e, por fim, disse, em tom firme e convicto: `Você deve assinar. Fica-se, pelo menos, sabendo a posição que se deve pendurar`.
<b>JOGATINA OFICIAL</b>
A Quina, uma das mais rentáveis, bancada pelo Governo Federal (rentável para a banca, bem entendido), tem agora sorteios diários. As chances de alguém acertar estão muito próximas de zero.
<b>CIRCULA NA INTERNET</b>
Lula é o único presidente que não deve dizer: vão-se os anéis, fiquem os dedos.
<b>NEGATIVO</b>
Se não fosse tão cara para a gente seria cômica essa disputa entre o Procon e os postos de gasolina. Há anos que os dois se digladiam mas não existe por parte do órgão uma atitude forte e definitiva que interrompa esse visível cartel. Por quê? Eu não sei.
<b>POSITIVO</b>
O mercado de motocicletas está crescendo 20% ao ano, sendo cada vez maior o número de motos em circulação. Os motoristas precisam respeitar os que andam sobre duas rodas, mas é fundamental que os motociclistas também se cuidem, deixem de ser tão afoitos, não ultrapassem pela direita e evitem trafegar em ziguezague. Se não tiverem amor à própria vida, fica difícil.
<b>SEGREDO DO SUCESSO</b>
Repórter entrevista um multimilionário: `Qual o segredo do seu sucesso?`. `Bem`, diz o homem, `eu tive sempre a teoria de que o salário é a última coisa a considerar. Cumprir tarefas com vontade e eficiência nos traz satisfação, é mais valioso que o dinheiro`. O jornalista se espanta: `E o senhor enriqueceu depois de se ter convencido dessa teoria?`. `Não`, respondeu o ricaço. `fiquei rico depois de ter convencido dessa teoria aqueles que trabalham para mim`.
<b>Edward de Souza</b>
<i>Jornalista e radialista</i>
edward@comerciodafranca.com.br
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