Suplentes aprovam a cassação de vereadores acusados de extorsão


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Os cinco vereadores de Igarapava, acusados de extorquir o prefeito Francisco Tadeu Molina (PSDB), foram cassados na noite da última terça-feira durante uma sessão extraordinária convocada pelo presidente da Câmara, Paulo César de Moraes (PSDB). Os vereadores Alan Kardec de Mendonça (sem partido); Roberto Silveira (sem partido); José Eurípedes de Souza, o “Zezinho da Boate” (PT); José Laudemiro Alves, o “Zé Bola” e Sérgio Augusto Freitas, o Serginho, perderam seus mandatos. Na sessão extraordinária, dos sete vereadores presentes, cinco eram os suplentes que ocupam as vagas desde que os acusados foram afastados do cargo, em abril. A Câmara de Igarapava é formada por nove vereadores. Os outros dois, entre eles, a presidente da CEI (Comissão Especial de Inquérito) montada para investigar as acusações de extorsão, Denise Mattar, não comparece ram por não terem sido informados com antecedência. Os cinco acusados também não foram informados da votação. Na reunião, os vereadores em exercício analisaram o relatório final da CEI. No documento, apenas um dos três membros da comissão pede a cassação. Os outros são favoráveis à absolvição por falta de provas. Os debates começaram às 13 horas e só terminaram pouco antes da meia-noite. “A votação foi unânime. Todos tiveram seus mandatos cassados”, disse Moraes. O advogado Denilson Carvalho, que representa dois dos cinco vereadores cassados, disse que está preparando uma medida judicial pedindo que a sessão de terça-feira seja anulada. “A sessão apresentou diversas irregularidades. O relatório final da CEI não foi lido por inteiro. A votação foi feita pelos suplentes que têm interesse em ficar com o cargo. A cassação foi feita na marra. Vamos recorrer à Justiça”. Outro ponto levantado pelo advogado foi o fato dos vereadores acusados não terem sido avisados a respeito da sessão. Sobre isso, o presidente da Câmara disse que tentou informá-los, mas eles não foram encontrados. Estranhamente, a presidente da CEI, cujo parecer foi pela absolvição, também diz não ter sido convocada. “Eu e o vereador Vicente de Paula (PV) nem chegamos a ser convocados. Fiquei sabendo o que estava acontecendo quando eles já estavam reunidos, mas preferi não ir lá porque não concordo com o que eles fizeram. Foi uma reunião planejada para cassar os vereadores”, disse ela, que completou: “Eles não seguiram o que foi sugerido no relatório final da CEI. A votação teria que ser feita pelos segundos suplentes para evitar o jogo de interesses dos que atualmente ocupam as vagas. Isso não aconteceu. Pretendo conversar com o Vicente e ver se tomaremos alguma atitude”. <b>PARA ENTENDER O CASO</b> Em abril deste ano, os vereadores cassados foram acusados de cobrar do prefeito para aprovar os projetos enviados à Câmara. Eles foram presos durante uma ação do Gaerco (Grupo de Atuação Especial do Ministério Público) e afastados do cargo. Depois acabaram liberados, mas, com a abertura da CEI, foram novamente afastados para não prejudicar as investigações. Os suplentes tomaram posse provisoriamente. No último dia 2, os acusados conseguiram na Justiça de Igarapava uma liminar e voltaram aos cargos. Sete dias depois, o atual presidente da Câmara reverteu a decisão no Tribunal de Justiça e convocou a sessão extraordinária que culminou com a cassação, perderam seus mandatos.

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