Era para ser o lugar mais seguro que uma pessoa pudesse encontrar ou, como afirma a Constituição Brasileira em seu artigo 5º, "asilo inviolável do indivíduo". No entanto, a depender das estatísticas em Franca e levando em conta que assaltante algum dá a mínima para a Carta Magna, estar em casa ou chegar nela passou a ser fator de risco na cidade. Em praticamente dois meses, do dia 15 de agosto até hoje, oito residências foram invadidas em Franca, com seus moradores dentro. Os ladrões, via de regra, abusam da violência não deixando muito mais para as vítimas que prejuízos e traumas.
O levantamento feito a partir das ocorrências divulgadas pelo Comércio da Franca não leva em conta furtos feitos em casas momentaneamente vazias ou os roubos ocorridos em estabelecimentos comerciais, como no estacionamento da Avenida Doutor Hélio Palermo, dia 1º, quinta-feira da semana passada, ou ao escritório de contabilidade, quinta-feira, às 16 horas, na Rua General Osório, em pleno Centro, com três pessoas sendo trancadas no banheiro.
A primeira ocorrência foi no dia 15 de agosto. Duas crianças foram trancadas no quarto da casa em que estavam no Parque Universitário. A mãe de uma delas havia saído por não mais que 10 minutos, segundo afirmou à polícia, e quanto voltou encontrou as crianças, de 9 e 6 anos, assustadas e afirmando que um homem havia entrado no imóvel.
Neste caso, além dos dois celulares levados, nenhuma violência foi praticada. Mas essa não é a realidade que tem marcado ações desse tipo. Logo depois, uma casa no Jardim Elimar foi a escolhida por três homens armados e encapuzados para praticar um assalto e aterrorizar pai, mãe e dois filhos durante mais de uma hora, tempo em que foram obrigados a ficar embaixo de uma cama. Na fuga com o carro da família, um dos ladrões foi preso, mas dois conseguiram fugir.
Menos de 24 horas depois, no Jardim Francano, outra ação violenta seria registrada. Um casal que estava em casa foi supreendido também por três homens armados e vestindo capuzes. Depois de amarrar os moradores, pegaram tudo o que encontraram pela frente, de roupas a produtos eletrônicos e dinheiro, fugindo em seguida no carro da família. Na época, o delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Márcio Murari, declarou que poderia haver ligação entre este crime e o anterior, dadas as semelhanças.
<p style="text-align: center;"><a target="_blank" href="http://gcncomunica.wordpress.com/files/2009/10/quadro-de-assaltos-em-franca.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2910" title="arte/comércio da franca" src="http://gcncomunica.wordpress.com/files/2009/10/quadro-de-assaltos-em-franca.jpg" alt="arte/comércio da franca" width="400" height="306" /></a></p>
<B>EMBLEMÁTICO</B>
Dos oito casos levantados, todos obviamente chamam a atenção, mas nenhum como o do dia 5 de setembro. Naquele dia, ladrões colocaram em prática um método que demonstra doses de ousadia e planejamento. Para invadir uma casa de classe média alta no Jardim Consolação, eles cavaram um túnel quebrando o muro de arrimo da residência, que tem farto sistema de vigilância com câmeras e alarmes.
Nada disso, no entanto, evitou que um comerciante de 51 anos, sua mulher e dois filhos fossem rendidos por dois assaltantes armados, que levaram R$ 1,5 mil em dinheiro e muitas joias, conforme foi declarado à polícia. Além de muito bem planejado, este assalto fugiu aos padrões das outras ocorrências. Na maior parte das vezes, eles ocorrem em casas que não denotam nenhuma ostentação por parte dos moradores.
No último registro do gênero, anteontem à tarde, uma recepcionista de 26 anos estava chegando em casa quando foi abordada por três assaltantes. Dentro da casa, quatro pessoas, entre elas seu filho de 7 anos, foram dominados.
Procuraram por dinheiro e joias, mas como não encontraram nenhum dos dois em quantidade satisfatória, fugiram levando eletrodomésticos e a caminhonete da família, mais tarde localizada na zona rural de Batatais. "Você não consegue nem pensar em nada. Para mim, todos iam ser mortos ali dentro de casa", disse DS.
<I>Colaborou Daniel Rodrigues</I>
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