IDH brasileiro e riqueza


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O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil divulgado nessa última segunda feira pelo PNDU (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), mantém o Brasil em sua posição anterior – 75º lugar – em uma lista de 182 países. Melhoraram alguns indicadores que são considerados nessa medição, mas o País não alterou seu posicionamento. Este índice chama a atenção sobre as discrepâncias sociais que, mesmo com todas as melhorias evidentes no País, ainda persistem no quadro social endêmico brasileiro. Três índices são considerados na formação do IDH: a renda (PIB per capita), a longevidade (expectativa de vida) e a educação (que considera a taxa de alfabetização de pessoas com 15 anos ou mais e taxa de matrícula bruta nos três níveis educacionais). Destes, a renda per capita entre 2006 e 2007 – período base do levantamento do IDH –, cresceu 6,9%, passando de US$ 8.949 para US$ 9.567. Nesse ranking específico, o Brasil está em 79º. Em longevidade, o País viu a expectativa de vida aumentar pouco, de 72 para 72,2 anos. Quanto a educação, melhorou a taxa de alfabetização – 89,6% para 90% – e manteve estabilizada sua taxa de matrículas em 87,2%. Qualquer cidadão que não tenha uma visão curta e estreita e não possua julgamento ideológico pré-concebido, verá que alguma coisa muito errada permanece viva na estrutura sócio-econômica desse nosso País, mesmo com indicadores mostrando que o país tem melhorado muito, como tem repetido constantemente o nosso Presidente Lula. Aliás, a Fundação Getúlio Vargas apresentou em 21 de setembro, pesquisa indicando que 3,8 milhões de brasileiros saíram da miséria em 2008 (queda de 12,27% no número de pessoas pobres) e que desde 2003, 19,3 milhões de brasileiros estão fora da miséria graças à melhora no mercado de trabalho (estabilidade econômica e desenvolvimento da atividade produtiva), ao aumento do salário mínimo e aos programas de transferência de renda como o Bolsa Família. Mas ainda temos 29,3 milhões (16,02% da população) de miseráveis, 10% da população analfabeta e um alto índice de crianças e jovens fora da escola. Também ainda somos um País sócio-economicamente contrastante. Somos a 9ª econômica do mundo e apenas a 75ª em desenvolvimento humano. Onde está a riqueza que eleva o Brasil à 9ª potência econômica? Ou melhor, nas mãos de quem ela está? A verdade é que continua concentrada nas mãos de poucos que deveriam estar aumentando o IDH brasileiro através de investimentos e geração de empregos. Não tenho, realmente, mais estômago para ver fábricas fecharem as portas, seus funcionários terem que entrar na justiça para receber o que lhes é de direito, enquanto os antigos donos continuam tranquilamente suas vidas e começam novos ‘empreendimentos’. Essa atitude ofende e enoja. Ironicamente são esses ‘empresários’ os mesmos que criticam o Bolsa Família e que, no final das contas, são beneficiados pelo programa porque seus valores retornam ao mercado de consumo enriquecendo as suas empresas. Cassiano Pimentel Agente de Exportação e professor universitário

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