O professor José Leite Sobrinho é uma das figuras mais conhecidas em Delfinópolis e aonde quer que a reportagem fosse sempre ouvia recomendações para procurá-lo. “Professor Zezé”, como é chamado, ex-docente de inglês e língua portuguesa, mora no centro da cidade, em uma casa de 1921, com 23 janelas, segundo fez questão de frisar. Autor de um livro sobre a história local (Minha terra tem história/2004), contou com riqueza de detalhes como a grande ponte do Surubim, construída em madeira por abastados fazendeiros locais, submergiu nas águas do lago de Furnas.
Inaugurada em 1906, após dois anos de construção, quando a Vila de Espírito Santo da Forquilha ainda era um distrito de Cássia (MG), a ponte tinha quase 400 metros de extensão e durou exatos 50 anos. Uma empresa - Companhia Ponte do Surubim - chegou a ser criada para gerenciar os fundos para sua construção. No meio do projeto, a companhia, quase falida, não teve como prosseguir. Uma nova diretoria foi escolhida e um dos sócios foi bater em Passos (MG) atrás de financiamento particular para terminar o projeto. Vários fazendeiros e industriais da cidade compraram ações acreditando na sua viabilidade.
[FOTO2]
Em 1956, a água represada do Rio Grande começou a subir trazendo grandes prejuízos para aqueles que tinham apostado dinheiro na antiga ponte. Era o início do processo de isolamento de Delfinópolis, nome recebido em 1919, por homenagem ao ex-governador de Minas Gerais e ex-presidente da República, Delfim Moreira, morto em 1920. A emancipação administrativa veio em 1939.
“A ponte do Surubim servia muito ao município. Era o nosso único recurso de comunicação e escoamento das riquezas da cidade e de fora. Muito gado de Goiás e do Triângulo Mineiro passou por ela. Quando menino, era comum ver dois mil, três, quatro mil bois atravessarem a velha ponte”, disse o professor. Atualmente, basta o nível da água do lago de Furnas baixar alguns metros para que a estrutura possa ser vista.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.