Amor por decreto


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Tramitam no Congresso Nacional dois projetos de lei visando a estabelecer a obrigatoriedade de assistência afetiva dos pais para com seus filhos. Na essência, acreditamos que os projetos são válidos mas não na sua aplicabilidade, na obrigatoriedade de assistência de pais ausentes a seus filhos. Não se pode impor a ninguém que tenha responsabilidade, que tenha afeto, que dedique amor. Quando ocorre a separação do casal quem mais sofre são os filhos. Os genitores ainda não entenderam que se separam do cônjuge mas, dos filhos não há divórcio ou separação. Todo sentimento nasce da sensibilidade da pessoa, fruto do amadurecimento do coração de cada um. Assim, como pedir a alguém que não ama, que passe a amar? Não será por força de lei que se convencerá moralmente, de que se é responsável pelos filhos, de que o amor à prole é o primeiro passo para uma paternidade responsável. Até porque, fica a pergunta: quem fiscaliza o sentimento? Ainda não contamos com um aparelho capaz de medir sentimento e, por isso, não acreditamos que se possa conferir a aplicação da lei. Claro que admitimos que é uma tentativa que se executará em três níveis: indenização por abandono efetivo, assistência e convivência. Como dissemos, a intenção é boa mas é indispensável que se conscientizem os pais. Na resposta à pergunta 208 de `O Livro dos Espíritos`, as entidades que elaboraram a Codificação afirmaram: `...Os pais têm por missão desenvolver os seus filhos pela educação. Tornar-se-ão culpados se vierem a falir no seu desempenho". É pelo amor e pelo exemplo que os pais educam os seus filhos. Não é com palavreado, nem com determinações autoritárias. Como tem faltado amor e exemplo, a sociedade está desequilibrada. Quando se pergunta qual a causa do aumento da violência, inclusive a que toma conta das escolas em geral, não se pode pensar em uma única causa. São várias mas a principal delas sem dúvida, é o desequilíbrio dos lares. Não é por outra razão que o materialismo usa de todos os meios e de todas as mídias para destruir a família. Destruindo a família, mais facilmente se conseguirá o domínio da sociedade. É o estímulo ao `salve-se quem puder`. Os Espíritos orientadores da Codificação abordaram este problema quando, na resposta à pergunta 775 de `O Livro dos Espíritos`, disseram que o relaxamento dos laços de família provocaria um aumento do egoísmo. Não é o que estamos assistindo na atualidade? Então, podemos concluir que estão corretos, na sua intenção, os que desejam estabelecer leis que obriguem a assistência afetiva. Mas, por outro lado, é indispensável que haja um convencimento de todos com relação à importância de se viver o que se apregoa. De se valorizar a família. De combater o individualismo exacerbado. Enfim, de se viver verdadeiramente a mensagem do Cristo, especialmente no `Deixai vir a mim as criancinhas`. Felipe Salomão Bacharel em Ciências Sociais e membro do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)

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