Vereadores acusados de extorsão voltam à Câmara


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A reunião de ontem da Câmara de Vereadores de Igarapava seria realizada para votar a apresentação do pedido de cassação dos cinco vereadores acusados de extorquir o prefeito Francisco Tadeu Molina (PSDB). Para a surpresa geral, antes do assunto ser colocado em pauta, três dos acusados, acompanhados de seus respectivos advogados, chegaram à Câmara. Segundo a vereadora Denise Mattar (PT), eles apresentaram uma sentença do juiz Éverton Meireles, da Comarca de Igarapava, determinando que os mesmos reassumissem seus cargos. A justificativa do magistrado, segundo a vereadora, foi que o prazo de 90 dias estipulado para a CEI (Comissão Especial de Inquérito), para apurar a denúncia se expirou sem que a CEI tenha chegado a alguma conclusão. O Comércio da Franca tentou contato com o juiz Éverton Meireles na tarde de ontem, mas no fórum da cidade, informaram que ele já havia deixado o local e confirmaram a sentença emitida pelo magistrado. Foram reempossados Alan Kardec de Mendonça (sem partido), como presidente da Câmara; Roberto Silveira (sem partido) e José Eurípedes de Souza, o “Zezinho da Boate” (PT). A vereadora Denise Mattar (PT), que também é a presidente da CEI, disse que os vereadores foram pegos de surpresa e que o clima ficou tenso. “A nossa previsão era concluir os trabalhos no dia 8 de outubro. Na verdade, a reunião seria realizada hoje (ontem) por que o atual presidente da Câmara -Paulo César de Moraes - antecipou a data”, disse. Ela não sabia que o prazo para a conclusão das investigações já tinha vencido. Os vereadores José Laudemiro Alves, o “Zé Bola”, retorna à Câmara na próxima terça-feira e Sérgio Augusto Freitas, o Serginho, na quinta-feira. Mesmo sem o relatório final da comissão, Denise afirma que nenhuma prova foi encontrada contra os vereadores afastados. “Foi um trabalho transparente, mas encontramos muitas dificuldades. A pessoa que fez a denúncia (um funcionário da Prefeitura) não quis falar. Também não conseguimos ouvir testemunhas e o próprio prefeito prestou esclarecimentos como informante e respondeu só o que quis”. O prefeito confirmou o que teria dito à polícia no último mês de março, após a prisão dos vereadores. Eles são acusados de tentar extorquir Molina com pagamento entre R$ 15 e R$ 20 mil para aprovar projetos. Os vereadores afastados foram presos no último 18 de março durante uma ação do Gaerco (Grupo de Atuação Especial do Ministério Público). Roberto Silveira deixou a prisão no dia 1º de abril. Os demais uma semana depois. Denise Mattar disse que uma reunião para discutir o pedido de cassação deveria ter acontecido no último dia 18 de setembro, mas os acusados conseguiram uma liminar alegando que o atual presidente da Câmara, Paulo César, não poderia presidir a sessão já que tinha interesses por ser suplente. “O juiz disse que se manifestaria em dez dias e ontem (quinta) saiu o despacho dando aos vereadores o direito de voltarem”. A reportagem tentou falar com o prefeito de Igarapava, Francisco Molina, sobre a volta dos vereadores, mas ele não foi localizado. DEIXAM A CÂMARA Com o retorno dos vereadores, deixaram ontem a Câmara os suplentes que assumiram em abril: Paulo César de Moraes (PSDB), que respondia como presidente; Robson Lisboa (PSDB); Rosa Aparecida da Silva (PT); Leandro Silva (PV) e Eurípedes Gilberto da Silva (DEM). Os dois últimos saem na próxima semana.

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