Veiculou-se neste Comércio notícia afirmando que as exportações de calçados em Franca atingiram o fundo do poço em 2009. Isso significa que as indústrias do setor estão vivendo o pior momento em 28 anos. Para agravar a situação da indústria local o mercado interno tem previsão de queda no consumo além de barreira alfandegária imposta pela Venezuela. Isso forçou um empresário francano a fabricar sapatos na Argentina para driblar as barreiras e as burocracias imposta pelo caudilho venezuelano.
À medida em que as coisas acontecem não é possível interpretar tais fatos só como inconsequência ou incompetência das lideranças desse País. Caso toda a orquestração fosse fruto apenas de inaptidão para a arte da política e da gestão, pelo menos um erro em favor da sociedade deveriam cometer.
Essa `lógica de neutralização de protestos populares`, no dizer do sociólogo Lúcio Castelo Branco, faz parte de uma estratégia de marketing na qual os líderes mantêm toda uma sociedade em situação de apatia e tibieza.
Não é possível acreditar que o Brasil possua um regime político denominado Estado Democrático de Direito. Caso fosse, a Lei Maior seria respeitada e cumprida em favor do povo o qual concede o mandato ao indivíduo que considera apto a representá-lo.
Evidente que soa estranho a essa altura falar em concessão de mandato de representação. Atualmente, já não é segredo que o político transfere seu escritório para o espaço público e administra seus próprios negócios dali, valendo-se de todos os benefícios e isenções que o posto lhe confere.
Enquanto isso distribui a ração diária, assim como disponibiliza muita diversão à massa informe. É assim que conseguem manter a prostração e a lassidão da população. Curiosamente, o Brasil possui mais de cinco mil municípios, mas o IBOPE pesquisa menos de uma centena deles e publica a estatística de 80% de aprovação ao governo. Isso não leva a refletir?
As políticas públicas do atual governo se restringem a oferecer esmolas à população menos favorecida. Será que emprego, cidadania, responsabilidade, educação de qualidade, não é melhor que caridade? Se o Chanceler do Brasil se interessasse mais pela nossa indústria e pela expansão e conquista de mercados externos, negociando `nossos anéis` e não nossos dedos e mãos, a indústria não empregaria mais?
Por falar nisso, uma frase se presta a esclarecer bastante sobre esses fatos: `Trabalhe duro. Milhões de pessoas vivendo do Fome-Zero estão dependendo de você`. Ora, trabalha-se quatro meses por ano somente para custear as mordomias do governo e suas políticas de adestramento da população. O povo precisa desenvolver suas capacidades humanas e não de cestas básicas. As mentes ociosas são fáceis de cooptar e manipular.
É com trabalho que se constrói uma nação. Nunca, em nenhum lugar do mundo, pode ser constatado que ociosidade é sinônimo de progresso e cidadania. É na ociosidade que se engendra a violência, a ignorância, a inapetência moral e o desmonte social. Como pode ser explicada a conjuntura nacional atual? Não estaria configurado um estado de anarquia onde – em que pese o esquecimento patológico dos escândalos protagonizados por esse `des-governo` –, não há uma única instituição que enseje credibilidade.
Nadir Ap. Cabral Bernardino
Advogada formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental
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