A verdade precisa ser dita. Não se podem admitir argumentos politicamente corretos quando o que está em jogo é a vida das pessoas. O hediondo mercado das drogas está dizimando a juventude.
Avança e vai ceifando vidas nos barracos da periferia abandonada e no trágico auê dos bares e boates frequentados pela juventude bem-nascida. Você quer saber onde está o responsável por tanta violência, por tanta droga e tanto sofrimento em nosso mundo? Se você não for uma pessoa de sorte esse responsável dorme no quarto ao lado e é um dos seus `meninos` que, viciado em drogas, é o responsável por financiar quadrilhas organizadas, manter os bandidos bem armados e até a política de segurança de sua cidade. Por mais dura que seja essa realidade. Só existem traficantes porque existem viciados e os dois estão intrinsecamente ligados numa só corrente e num só mundo.
Não adianta querer tirar do seu garoto essa responsabilidade. Ele até pode e deve ser uma vítima das drogas, mas é sua pertinência em comprar, distribuir e ofertar drogas que mantém o mercado aceso e possibilita que fortunas sejam erguidas.
No começo desta semana, em Franca, no Jardim Planalto, uma dona de casa de 63 anos tentou matar o filho, viciado em entorpecentes desde os 18 anos, colocando grande quantidade de tranquilizante no copo de suco oferecido a ele. Depois, a mulher também ingeriu o remédio com a intenção de tirar a própria vida. O desespero de uma mãe que tinha ao seu lado um inimigo inconsciente, movido apenas pelo desejo de consumir droga, fez com que ela tomasse a atitude extrema que só não se transformou em tragédia porque uma filha chegou a tempo e providenciou atendimento médico.
O uso abusivo de drogas deixou de ser um problema particular e está no centro de uma catástrofe social. Milhares de crianças, adolescentes, jovens e adultos se drogam compulsivamente em suas casas, pelas ruas, guetos, favelas ou sob viadutos de todo o Brasil. E pior: é cada vez maior o número de pessoas com alto nível de instrução e bom poder aquisitivo fazendo uso social de drogas lícitas e ilícitas, plenamente conscientes da armadilha em que estão entrando.
Combater o tráfico sem combater o vício é jogar dinheiro e tempo fora. Se ninguém usasse maconha, cocaína, crack, heroína e outros entorpecentes, ninguém venderia. Logo, o consumidor não pode nem deve ser tratado como uma figura angelical que caiu nas mãos do traficante, pois é dado a cada um o direito de opinar sobre o que ingerir cheirar e injetar. Nenhum traficante força ninguém a comprar nenhuma de suas drogas. É o contrário. Ele é procurado nos becos escuros dos subúrbios, nas ruas mal iluminadas das favelas, nas esquinas dos conjuntos pobres e quem o procura está consciente de que está ajudando a alimentar um monstro que um dia irá devorá-lo.
A sociedade insiste em manter a culpa do tráfico entre os traficantes e os quadrilheiros quando eles são apenas uma ponta desse enredado novelo. Na outra está o viciado.
Claro que os aparelhos de segurança têm o dever de bater forte em quem trafica, de evitar que a droga chegue facilmente às cidades, que se torne uma mercadoria fácil de encontrar, mas mesmo assim o problema persiste. Enquanto houver alguém disposto a pagar caro por uns minutos de prazer e euforia haverá quem venda esse sonho, acumulando com isso dinheiro, poder e influência, até tornar-se parte indissolúvel dessa mesma sociedade que ele destrói.
<b>MELHORANDO O CURRÍCULO</b>
O boxeador Popó, depois de ter seu nome envolvido num assassinato, resolveu candidatar-se a uma cadeira na Câmara Federal. Não sei se um caso tem ligação com o outro. Ou se foi para ampliar o currículo.
<b>ÓBVIO</b>
Certa vez indagaram da escritora Rachel de Queiroz o que é fundamental para se ingressar na Academia de Letras e ela respondeu: `Bem, em primeiro lugar, um defunto`.
<b>CIRCULA NA INTERNET</b>
A criminalidade baixou em Franca. Já estamos sendo assaltados por anões.
<b>NEGATIVO</b>
Os supermercados ganham rios de dinheiro e estão no dever de prestarem um serviço melhor aos clientes. Em primeiro lugar, o caixa rápido precisa ser rápido, justificando o próprio nome. E não poderia jamais receber contas de água, luz e telefone, entre outras, muito menos operar com recarga de celular. Aliás, para esses serviços, os supermercados deveriam destinar caixas exclusivos. Os consumidores têm de reagir.
<b>POSITIVO</b>
Certa vez foi indagado de Buda: `O que mais o surpreende na humanidade?". E Siddartha Gautama respondeu: `Os homens. Porque perdem saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por não viver o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido`.
<b>RARIDADE</b>
Chegam ao céu um papa e um advogado. A este é oferecida uma luxuosa mansão, enquanto ao papa é destinada uma quitinete caidaça. O santo padre protesta: `Ora, por que um simples advogado tem mais regalias do que o papa, que é o legítimo representante de Deus na Terra?`. São Pedro explica: `É que papa por aqui tem aos montes e advogado, esse aí é o primeiro que aparece`.
<b>Edward de Souza</b>
<i>Jornalista e radialista</i>
edward@comerciodafranca.com.br
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