Exportações de calçados de Franca devem bater o fundo do poço em 2009


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<b>RAZÃO DE TUDO</b> - Calçado é produzido em fábrica da cidade: dólar baixo, concorrência e barreiras diminuem as vendas
<b>RAZÃO DE TUDO</b> - Calçado é produzido em fábrica da cidade: dólar baixo, concorrência e barreiras diminuem as vendas
As exportações do setor calçadista de Franca podem fechar 2009 com o pior resultado dos últimos 28 anos. De janeiro a agosto deste ano, as indústrias francanas venderam para fora do País cerca de 2 milhões de pares de sapatos. Caso sejam confirmadas as previsões deste fim de ano, cerca de 3 milhões de pares serão enviados para o exterior. Os números se aproximam dos registrados em 1981, o pior dos últimos anos. Em relação a 2008, a queda chega a 35,4% ou 1,1 milhão de pares que deixaram de ser vendidos. São US$ 28,4 milhões a menos nos bolsos dos francanos. Para o presidente do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão do Couto, o quadro deficitário do setor é agravado pela retração do mercado interno. Segundo ele, até o fim do ano, 4,2 milhões de pares de sapatos também deixarão de ser vendidos em território nacional. "A queda nas exportações foi um duro golpe na economia das empresas e as vendas para o mercado interno não conseguirão compensar. A previsão é que a produção total fique em torno de 23 milhões de pares, menos 5,6 milhões em relação a 2008", sentenciou Brigagão. Para fazer a projeção negativa, o presidente do Sindifranca tomou como base as estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho. "O mês de setembro está terminando com 3 mil trabalhadores a menos nas esteiras. Não há como igualar o resultado de 2008", disse Brigagão. O prognóstico é endossado pelos calçadistas francanos. José Rosa Jacomete, diretor da Bordallo, afirmou ter reduzido sua produção para exportação em 80%. "Mantivemos uma produção média de mil pares/dia dentro da fábrica e reduzimos o que era passado para terceirizadas. Mesmo o mercado interno está instável", disse ele. Jacomete explicou que os lojistas brasileiros normalmente fazem os pedidos em setembro para serem entregues em novembro e dezembro, movimento que não aconteceu este ano. "O pessoal está devagar, comprando menos e em cima da hora", acrescentou. Carlos Brigagão, sócio-proprietário da Sândalo, é mais otimista quanto ao movimento para o fim do ano, mas admite que 2009 terminará no vermelho. "O período para exportações terminou. Para o fim do ano tivemos um aumento de 20% de produção, que faremos com horas extras e poucas contratações. Este Natal será melhor que o de 2008, mas não compensará as perdas registradas ao longo do ano", disse Brigagão. <b>VENEZUELA</b> As barreiras alfandegárias impostas pela Venezuela são apontadas como o mais novo obstáculo aos calçadistas exportadores figurando ao lado da baixa cotação do dólar frente ao real e a concorrência desleal do calçado chinês. De acordo com o Sindifranca, o município exportou este ano US$ 4,4 milhões em sapatos para a Venezuela. No ano passado as transações alcançaram US$ 10,3 milhões. Para driblar a burocracia, José Rosa Jacomete, decidiu produzir na Argentina os pares que fabricaria em Franca com destino à Venezuela. "Tenho os clientes e minha marca registrada no País. Estou deixando de mandar 200 mil pares para lá. Estou terminando as amostras que levarei para lá e se fecharmos negócio talvez dê para recuperar pelo menos o fim do ano", afirmou Jacomete.

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