Aos 17 anos, Jéssica Müller de Faria coordena um grupo de 30 jovens, entre 14 e 27 anos, pertencentes à Mocidade "João Marcelino Rodrigues", do Grupo Espírita Luz e Amor. A tarefa do grupo não se limita às reuniões de estudos do evangelho. Eles procuram ter um envolvimento social com a comunidade e assim promovem encontros onde discutem temas atuais ligados ao público de sua idade. A religião também não procura limitar os jovens. Eles podem conduzir a vida social da maneira que acharem conveniente.
"Uma das bases da doutrina espírita é que nada é proibido. Claro que tudo é pautado dentro de uma ética (...). Acho que por isso os jovens se encontram no espiritismo e têm prazer de fazer. Você aprende e sabe a medida de pôr as coisas em prática na vida. Você tem o ensinamento, a lição, a parte da fé que toca, e você sabe como adequar aquela lição à sua vida", disse Jéssica.
O Se Liga encerra hoje a série de matérias sobre os jovens francanos e sua religiosidade. Depois dos grupos católicos e evangélicos, hoje a intenção é mostrar a juventude espírita e como ela envolve seus jovens em trabalhos voltados para a comunidade.
Franca tem 22 grupos de mocidade espírita ativos que, segundo Jéssica, têm atividades diferenciadas. Geralmente os jovens se encontram uma vez por semana, aos domingos, para estudar as doutrinas da religião. "Nossa mocidade procura acolher. Outras são voltadas para atividades doutrinárias. Enfim, cada uma tem sua característica, mas em Franca somos unidos, costumamos nos ver muito".
<b>ARTE E VIDA</b>
Foi de um encontro de jovens espíritas que surgiu, no início da década de 90, o Grupo Teatral Arte e Vida. À época, Lígia Ferreira Benati Gonçalves ainda era adolescente, tinha apenas 12 anos. Entrou no grupo por incentivo dos irmãos mais velhos. Hoje, o projeto se transformou em um dos maiores voltados para arte desenvolvidos pela comunidade espírita em Franca. "O Arte e Vida produziu diversas peças com temática espírita. O trabalho foi crescendo e a gente crescendo junto", disse Lígia, que chegou aos 31 anos e é professora de Educação Física.
O grupo que surgiu para evangelizar por meio do teatro hoje faz bem mais que isso. Faz um trabalho que transcendeu o enfoque religioso e atingiu questões de cidadania, ecologia e, claro, de arte. Pelo menos 200 crianças, adolescentes e jovens participam de aulas de arte circense, dança do ventre, teatro, entre várias outras. As atividades acontecem todos os sábados, na Fundação Espírita Judas Iscariotes.
Para Lígia, que atualmente faz parte da diretoria do Arte e Vida, a participação nas atividades "extra reuniões" do Centro Espírita foi uma espécie de laboratório para a vida. "(...) A gente experimenta de tudo. Ser líder, ser liderado, coordenar estudos. Desde o teatro, até coordenar encontro de várias habilidades. Sem o ‘Arte e Vida’ não seria 50% do que sou hoje", afirmou.
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