As mudanças impostas aos casamentos no Mosteiro de Claraval (MG) criaram muita polêmica entre os católicos da região, mas os noivos que desistirem de se casar na cidade mineira também terão de cumprir regras nas 13 igrejas católicas de Franca. As paróquias francanas possuem um manual de normas que há anos tem de ser seguido na hora do “sim”. Os números de padrinhos, de damas e de aberturas das portas para as entradas são limitados. A maioria das paróquias só autoriza músicas sacras. Exceções são raras, mas quando existem, são com restrições. Nas seis igrejas consultadas pelo Comércio, apenas duas permitem músicas extraídas de novelas ou filmes. Na São Vicente de Paulo, só são aceitas se forem instrumentais e, na Santo Antônio, é necessário passar pelo crivo dos padres.
A decoração dos templos também tem restrições. A Igreja Nossa Senhora das Graças não permite enfeites nos bancos. Algumas paróquias proíbem “chuva” de pétalas ou arroz, pois não têm funcionários para fazer a limpeza após as cerimônias.
Padre Jamil de Souza, administrador diocesano de Franca, disse que as regras dos casamentos são antigas e existem para evitar “excessos” durante as celebrações e para valorizar a “essência do matrimônio”. “Às vezes as pessoas querem fazer da celebração matrimonial mais um acontecimento social que sagrado. As normas existem em todas as igrejas do Brasil e são aplicadas de acordo com a peculiaridade de cada paróquia para evitar essa inversão”, disse ele, que é padre há 18 anos e é pároco na Igreja Menino Jesus de Praga.
Ao procurarem esta igreja, os noivos recebem um guia contendo 13 itens com recomendações para antes e o dia do casamento. No guia consta, por exemplo, que as portas podem ser abertas somente duas vezes. Uma para o noivo e padrinhos entrarem. Depois para a noiva, acompanhada das damas. As demais paróquias ouvidas autorizam de três e até quatro entradas. “Os casais introduzem coisas que não existem no ritual do matrimônio. Querem fazer o que desejam e deixam o sacramento em segundo plano. Dá para unir o útil ao agradável, sem extrapolar”, disse o Padre Antônio Marcos, da Paróquia São Crispim, no City Petrópolis.
Na Igreja Santo Antônio, os noivos são orientados sobre as normas. Para o padre Dalmácio de Freitas, o bom senso deve prevalecer. “As músicas deveriam ser litúrgicas, inspiradas na palavra de Deus. As de interesse particular dos noivos deveriam ser tocadas fora da igreja, na festa. Existem exceções, mas tem de ter bom senso se não daqui uns dias vão colocar samba, sertanejo”.
Para evitar dissabores, os religiosos costumam reforçar as orientações aos casais várias vezes. Na Paróquia Menino Jesus de Praga, o padre faz ao menos três reuniões com os noivos para repassar as normas.
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