Ruas de Franca ‘escondem’ 866 foragidos


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<b>AUTORIDADE</b> - O delegado Márcio Murari atribui a vários motivos o não cumprimento de mandados
<b>AUTORIDADE</b> - O delegado Márcio Murari atribui a vários motivos o não cumprimento de mandados
Você viu Antônio Luiz Damasceno Filho, Rodrigo Martins Ferreira e Amarildo Alcantara de Souza? Não? Nem a polícia de Franca. Os três já foram julgados e condenados pelos crimes de estupro, assalto e tráfico, respectivamente, mas estão à solta e, de acordo com a Justiça, provavelmente nas ruas da cidade. Os mandados de prisão expedidos contra eles estão amontoados junto a outros 863 que lotam o cartório central da Delegacia Seccional de Franca à espera de cumprimento. Desse total, 476 - o equivalente a 55% - foram condenados pela Justiça por algum tipo de crime ou são suspeitos com prisão preventiva decretada. Os 390 restantes respondem a processos na Justiça Cível por não pagamento de pensão alimentícia ou como infiéis depositários. O acúmulo de ordens judiciais, segundo o delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca, Márcio Murari, se deve principalmente ao desaparecimento dos procurados. "Não existe corpo mole. Quando a gente recebe ordem para dar cumprimento a um mandado de prisão, a diligência é feita, mas muitos já mudaram de endereço ou decorrem de processos mais antigos", disse Murari. A ordem contra Antônio Luiz, por exemplo, é uma das mais antigas da região. Ele é procurado pela polícia há 19 anos. Nas folhas amareladas, o texto ainda datilografado registra sua condenação em 1990 por ter estuprado uma criança de 2 anos em fevereiro de 1983. O crime foi apurado pela delegacia de Miguelópolis e como ele não tem endereço fixo, o juiz responsável pelo caso determinou que fosse procurado também nas cidades de São Joaquim da Barra, Morro Agudo e Franca. <b>PASSO A PASSO</b> De forma simplificada, o delegado assistente da Seccional de Franca, Alan Bazalha Lopes, explicou como esses mandados de prisão são cumpridos. "Depois que um acusado é condenado, o juiz despacha um mandado de prisão para a Seccional. Nós verificamos se ele já está preso e onde. Se a pessoa não estiver recolhida, o mandado é encaminhado para o distrito da área de seu último endereço conhecido. Para as especializadas, seguem cópias dos casos mais graves e quando o endereço é indefinido porque elas têm mais recursos para investigação", disse ele. Segundo o delegado do 3º DP de Franca, Daniel Radaelli, todos os dias seus investigadores cumprem mandados de prisão. O efetivo reduzido dificulta o trabalho. "Às vezes realizamos operações específicas para isso. Temos 15 dias para prestar contas ao Judiciário sobre o resultado da procura. Então, quando estamos apertados fazemos uma espécie de mutirão com a colaboração de todos", afirmou Radaelli. A Polícia Militar também participa dessa empreitada. A corporação recebe uma cópia dos documentos com os quais alimenta o sistema da Prodesp (Companhia de processamento de dados do Estado de São Paulo). "A todo o momento, em qualquer lugar, quando você é abordado pelos policiais militares, eles verificam se você é procurado ou não pela Justiça", lembrou Márcio Murari.

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