Quem não é contra...


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O fanatismo é um comportamento muito perigoso. A leitura faz um alerta que Deus, com a ação do seu Espírito, não pode ficar encerrado dentro das fronteiras de nenhuma instituição.
O fanatismo é um comportamento muito perigoso. A leitura faz um alerta que Deus, com a ação do seu Espírito, não pode ficar encerrado dentro das fronteiras de nenhuma instituição.
Hoje celebramos o 26º Domingo do Tempo Comum. Deus nos oferece para nosso crescimento espiritual os seguintes textos da sua Palavra: Livro dos Números 11; São Tiago 5 e o Evangelho escrito por São Marcos 9. A primeira leitura nos conta fato ocorrido no tempo de Moisés: ele esta cansado, desiludido e pede que Deus o auxilie. É ouvido. São escolhidos 70 homens que foram consagrados pelo Espírito de Deus e começam a profetizar, isto é, foram tomados por um estado de exaltação coletiva e começaram a falar em nome de Deus. Ora, havia dois anciãos do povo, Eldad e Medad, que, embora não tivessem participado da cerimônia, também receberam o espírito e se tornaram profetas também. Formou-se uma grande confusão pela falta de aceitação. O trecho que é proclamado reprova o fanatismo. Fanático é aquele que agride a quem não pense como ele ou que não faz parte do seu grupo; é aquele que rejeita quem não comunga as suas idéias e os seus projetos. O fanatismo é um comportamento muito perigoso. A leitura faz um alerta que Deus, com a ação do seu Espírito, não pode ficar encerrado dentro das fronteiras de nenhuma instituição. Deus está completamente livre para sair de todos os esquemas e pode fazer surgir o bem de qualquer parte. Onde quer que haja o bem, o amor, a paz, a alegria ali está em ação o Espírito de Deus. Quem não aceita essa liberdade de Deus, quem não entende que ele realiza o bem também através dos homens de outras religiões, torna-se um fanático. Na segunda leitura, São Tiago, fala de forma clara e violenta para os que acumulam riquezas plantados no egoísmo. A Bíblia, desde o tempo dos profetas, nunca usou palavras adocicadas em relação aos ricos, entretanto em nenhum outro livro encontra-se uma condenação tão violenta como a que consta na leitura de hoje. Para conseguir entende-la é preciso lembrar, antes de mais nada, que Tiago não distingue, como fazemos nós, entre ricos bons e maus ricos. Fala de ricos e é só. Tiago não está contra os bens materiais; Ele condena aqueles que não dividem com os irmãos, aqueles que acumulam e só usam pensando no próprio bem estar. Ele então, descreve a origem da riqueza. Quase sempre é acumulada mediante a prática de injustiças em relação aos mais fracos, sendo resultado de exploração. Tiago ensina que o pobre não tem condições de resistir porque quem possui o dinheiro, em geral, tem a lei do seu lado, como também a força e a proteção dos poderosos. A severidade de Tiago é compreensível se levamos em conta que o excesso de riquezas é absolutamente incompatível com a opção cristã. Os bens deste mundo pertencem a todos e não só a alguns. O Mestre afirmou isso claramente: "Quem não renunciar aos seus bens não pode ser meu discípulo". O evangelho escrito por São Marcos trata de um assunto muito interessante que atinge profundamente nossa vida. Não é sempre fácil entre amigos e inimigos. É fácil ser vítima de enganos: alguém pode se declarar nosso fiel aliado e mais tarde nos atraiçoa. Como podemos distinguir quem está conosco e quem contra nós? Para responder a essa pergunta Marcos alinha, em tom de quase desafio e no corpo do mesmo capítulo, dois episódios. No primeiro faz entrar em cena um homem que se apresenta a Jesus e lhe diz: "Mestre, eu te trouxe meu filho, que tem um espírito mudo. Este, onde quer que o apanhe, lança-o por terra e ele espuma, range os dentes e fica endurecido. Roguei a teus discípulos que o expelissem, mas não o puderam". No segundo, introduz um exorcista anônimo que, usando o nome de Jesus, consegue, ao contrário, excelentes resultados contra as forças do mal. O evangelho nos mostra que no caminho para Deus, percorrido por nós, podem aparecer, inveja, intolerância e escândalos. A inveja e a intolerância apresentam-se, quando João e os outros discípulos tentam impedir uma pessoa, que está "fora da comunidade", de exercer um ministério em nome de Jesus. Jesus exorta-os para que sejam tolerantes e receptivos, pois não deve haver monopólio sobre o nome de Jesus. Outro perigo que ameaça o caminho de seguimento a Jesus é o de "escandalizar os pequenos". É melhor cortar a mão ou o pé e entrar no céu, sem mão ou sem pé, do que escandalizar os pequenos e ser lançado no inferno. É melhor perder-se do que perder alguém. Cabe a todos nós, que seguimos o Messias-Servo, afastar da vida tudo o que possa prejudicar a adesão a Ele. <b>DOAÇÃO DE ORGÃOS</b> Às vezes nos perguntamos: como fazer para ajudar mais as pessoas necessitadas? Um dos meios é a "doação de órgãos". Se você tem saúde, conscientize-se deste gesto solidário. Ao morrermos, podemos ajudar alguém ou vários irmãos para que tenham vida e saúde. A Igreja Católica não é contra a doação de órgãos. <b>PENSAMENTO</b> "Se eu dou comida a um pobre me chamam de santo, mas se eu pergunto por que ele é pobre, me chamam de comunista" (Dom Helder Câmara). <b>José Geraldo Segantin</b> <i>Pároco da Catedral de Franca</i> segantin@comerciodafranca.com.br

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