Há nove meses a pedagoga Tatiane de Souza, 27, procura emprego em Franca. Como os cerca de 18 milhões de usuários no Brasil, segundo dados fornecidos pela Google, ela mantém um perfil atualizado na rede social Orkut. Mas, somente na semana passada, ao assistir a uma reportagem na televisão, a jovem se deu conta de que sua personalidade e hábitos estavam expostos demais e poderia prejudicá-la na hora de conquistar um trabalho. Renato Grinberb, especialista em mercado de trabalho, alerta que as comunidades sociais podem prejudicar a imagem do funcionário na empresa ou até em uma entrevista de emprego.
“Inicialmente pensei em excluir meu perfil, mas tenho parentes que moram no Japão e o serviço é um meio de comunicação com eles. Então fiquei mais atenta e deletei várias comunidades que indicavam meu estilo de vida”, revela Tatiane, referindo-se ao costume de sair com os amigos à noite para tomar cerveja.
No Orkut é possível participar das mais diversas comunidades que se tenha interesse e familiaridade. “Mas o problema é quando isso invade a vida profissional”, diz Renato Grinberg, diretor geral do portal de empregos Trabalhando.com.br. “Comunidades como ‘Eu odeio trabalhar’ e ‘Detesto receber ordens’, por exemplo, podem agregar valor negativo à imagem do funcionário”, acrescenta.
Por isso, é preciso tomar cuidado com o que é postado na internet, pois a visibilidade é grande. O Brasil possui 51% dos usuários do Orkut em todo o mundo.
Para evitar constrangimentos, Tatiane não revela sua religião e nem sua personalidade. “Às vezes posso ter uma opinião diferente da pessoa que está me contratando ou ela pode me julgar superficialmente por meio das informações da minha página e posso perder a chance de ser chamada para uma segunda entrevista”, comenta a pedagoga.
Para não ser prejudicado pelo Orkut, Renato Grinberg apresenta perfis comuns (veja quadro) entre os usuários que precisam ter atenção redobrada para não gerar conseqüências à imagem profissional. E alerta: “Caso se identifique com alguns deles, cuidado! Pode estar na hora de mudar”.
<b>INTERNET A SEU FAVOR</b>
A professora da Universidade de Franca nos núcleos de Administração e Marketing, Eva Susana Soares de Oliveira, acredita que o assunto leva ao velho tema Marketing Pessoal, mas agora na internet. “Muitos acreditam que o que importa é o que se faz dentro da empresa, no horário de trabalho. Mas será? Será preciso tomar cuidado também com o que se faz fora da empresa?”, questiona.
Eva cita um exemplo: “Imagine se você vê o seu chefe de porre dando o maior vexame no boteco da esquina ou a foto da professora da sua filhinha bêbada e vestida de uma maneira muito inadequada no Orkut, o que pensará? Será que isso vai interferir na imagem que você tem deles?”
Para ela, na prática o funcionário representa a empresa em que trabalha mesmo quando está no barzinho. “As pessoas olham e dizem: ‘é o fulano ou fulana da empresa tal’. Somos observados e muitas vezes somos exemplos”, alerta. “No Orkut, Facebook, Twitter, a situação é a mesma, é preciso cuidar da nossa imagem sim!”
Eva afirma que confidências, segredos e desabafos devem ser feitos só com amigos em particular e pessoalmente, de preferência longe da empresa. Por outro lado, ela acredita que o internauta pode usar os mesmos recursos a favor do Marketing Pessoal, cuidando das informações divulgadas.
“Escolha fotos adequadas, pense antes de escrever. Lembre-se: não fale nada da sua empresa que não possa dizer diretamente ao seu chefe. Saiba que a imagem da comunidade que você participa interfere diretamente no seu marketing pessoal, positivamente ou negativamente. A escolha é sua”, conclui.
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