A Polícia Civil de Franca deve intimar nos próximos dias os dois médicos e a equipe de enfermagem que estava de plantão no Pronto-Socorro "Dr. Janjão" na madrugada do dia 6 de setembro. Eles seriam os responsáveis pelo atendimento prestado à cozinheira aposentada Aparecida Donizete Silva, 51. A mulher teria passado mal por cinco horas e foi atendida duas vezes antes de morrer de infarto em uma maca nos corredores da unidade.
O delegado do 3º Distrito Policial, Daniel Radaelli, afirmou na tarde de ontem já ter intimado parte das testemunhas e encaminhado ofício à Secretaria de Saúde de Franca pedindo informações sobre o ocorrido. "O caso é muito grave. Estamos apurando uma possível negligência médica que se enquadra como homicídio culposo. Pedi à Prefeitura uma cópia do prontuário de atendimento, os nomes de todos os funcionários que trabalharam entre 2 e 8 horas daquele domingo e outros documentos", disse o delegado.
Ainda segundo ele, nos últimos 15 dias os investigadores colheram impressões junto à família e outras pessoas que estiveram no PS naquela manhã. "Somente de posse de todos estes dados é que teremos condição de avaliar o que houve. A família reclama também que a Santa Casa teria negado uma vaga à vítima e esse é outro ponto a ser averiguar", afirmou Radaelli.
O delegado explicou que seria arriscado definir uma data para o depoimento dos médicos neste estágio da investigação. "As coisas estão caminhando rapidamente e não deve demorar para que eles possam dar suas explicações", disse o delegado.
No fim da tarde de ontem, o secretário de Saúde Alexandre Ferreira disse ainda não ter recebido o ofício encaminhado pela polícia, mas prometeu colaboração. "Já havíamos conversado com o delegado antes e estamos com a papelada em ordem. Assim que o pedido chegar já encaminharemos os documentos para ele", afirmou Ferreira.
Segundo o secretário, a apuração de erros é importante para a melhoria na qualidade do atendimento. "É preciso saber quem errou, quando e o porquê. Se foi no Janjão vamos trabalhar para resolver e o mesmo deve ocorrer na Santa Casa", disse o secretário.
<b>O CASO</b>
Aparecida foi levada por familiares ao PS por volta das 2h30 do dia 6. Lá foi examinada, medicada e liberada. Em casa, seu estado de saúde piorou e ela retornou ao Janjão. Segundo a família, às 6h30, os médicos disseram que tentaram uma vaga no Hospital do Coração. A resposta negativa teria sido enviada por fax ao PS. "Naquela hora eu chamei a PM. Ela sabia que estava morrendo e pedia ajuda", afirmou João Alves Peixoto Filho, cunhado da vítima. O óbito de Aparecida foi constatado às 7h55.
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