Sorte ou profissionalismo?


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É muito comum escutarmos histórias e estórias de principiantes. Aquele que vai à pescaria pela primeira vez e pesca o maior e melhor peixe. Aquele que aparece no jogo de pôquer pela primeira vez e acaba ganhando de jogadores antigos e mais experientes. Enfim, são incontáveis os exemplos e casos que o imaginário popular costuma denominar de "sorte de principiante`. A questão que submeto aos meus leitores é tentar definir o sucesso do treinador Dunga à frente da Seleção Brasileira de Futebol. Seria um novo exemplo de "sorte de principiante` ou se, ao contrário, trata-se de sucesso obtido em decorrência da sua efetiva e real competência e profissionalismo? Quando o ex-jogador Dunga foi indicado para treinador da Seleção Brasileira pelo questionado presidente da CBF, Ricardo Teixeira, sem qualquer experiência como treinador de futebol, a posição unânime da crônica esportiva brasileira foi de surpresa e ceticismo. Seguramente, além do próprio Dunga e do presidente da CBF, apenas alguns familiares e amigos do ex-jogador acreditaram no sucesso da iniciativa. Para completar o quadro de dúvida e incerteza, é importante lembrar que Dunga assumiu a Seleção Brasileira após um retumbante fracasso na Copa de 2006, um verdadeiro holocausto de um time considerado por todos imbatível. Além disso, assumiu em um período de transição onde verdadeiros mitos como Cafú, Roberto Carlos e Emerson, dentre outros, clamavam pela aposentadoria, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho e Adriano estavam fora da melhor forma e totalmente desmotivados. Veio com a clara e não negada missão de promover a renovação com cara e jeito de revolução. Mexeu com algumas antigas e anacrônicas estruturas, começou a agradar a alguns, porém comprou brigas feias com parte da mídia esportiva, especialmente a de São Paulo. Acabou com o privilégio de alguns veículos de comunicação no que se refere a entrevistas exclusivas e ingerências no trabalho. Acabou com os treinos espetaculosos que tornavam os coletivos da seleção verdadeiros "Big Brothers". Deu seriedade e profissionalismo ao trabalho, bem ao estilo Filipão. Pois bem, pouco mais de dois anos, Dunga apresenta cartel e currículo invejáveis. Campeão da Copa América, campeão da Copa das Confederações, a melhor campanha da Seleção Brasileira em eliminatórias, após a adoção da chave única, habilitando o Brasil para a Copa com três rodadas de antecedência sem o sufoco e as incertezas de outras eliminatórias, acumula uma das maiores invencibilidades, o maior número de vitórias em sequência, além de ter humilhado adversários históricos como Itália, Uruguai, Argentina e Portugal. Dunga recoloca o Brasil ao primeiro lugar no "ranking" da FIFA e restaura a credibilidade pois já se ouve aqui e ali que o Brasil é o favorito para a Copa de 2010. Porém, caro leitor, na minha modesta opinião, o feito maior do treinador neófito é ter conseguido dar ao Brasil um time com caras e nomes reconhecidos pela mídia, porém jogadores cônscios de serem menos estrelas do que a seleção canarinho. Dunga está conseguindo restaurar o interesse do brasileiro por sua seleção. É obvio, porém, que o resultado positivo na Capa de 2010 será o coroamento do trabalho. Contudo, não se pode deixar de reconhecer que os resultados apresentados até o presente momento são fortes e superam qualquer expectativa otimista que se pudesse ter quando da sua contratação. Obviamente que reconheço que o treinador deve melhorar o seu humor e atender a imprensa com um pouco mais de boa vontade. Porém, qual a formula de tamanho e inegável sucesso? Entendo que nos dias atuais, especialmente nos esportes coletivos, o resultado depende de trabalho, seriedade e profissionalismo. Experiências anteriores e competências acumuladas, obviamente que são importantes em qualquer setor da atividade humana, porém, devem ser aliadas a trabalho sério, dedicação e obstinação. No esporte mais do que em qualquer outro setor, vale a máxima "mais transpiração e menos inspiração". Em síntese, não se trata de "sorte de principiante", mas sim de competência aliada a dedicação e profissionalismo. Penso, encerrando, que Dunga entende que "a formula do sucesso ninguém detém, porém, a do fracasso, é tentar agradar a todos"! <b>Setímio Salerno Miguel</b> <i>Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca</i>

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