Santa Casa atinge a marca de 3,1 mil córneas captadas


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Há poucos dias da Campanha Nacional de Incentivo à Doação de Órgãos, comemorada de 27 de setembro a 3 de outubro, a Santa Casa de Franca atingiu uma marca de expressão em nível estadual: superou a barreira de três mil córneas captadas. Em números absolutos, a cidade já esteve entre as que mais realizam este tipo de procedimento no Estado. No ano de 2007, ficou atrás apenas de Sorocaba. Não há números referentes aos anos seguintes. Captações de rins, fígados, pâncreas, coração e até ossos também se destacam na estatística da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes. A Comissão foi implantada na Santa Casa no começo da década, mas começou a trabalhar efetivamente em 2003. Até o dia 16 de setembro, captou 3.100 córneas em Franca. O desempenho nos nove primeiros meses deste ano - 298 - já supera todo o índice obtido em 2008, quando foram captadas 274 córneas. “Conseguimos chegar a este patamar de captações por causa do trabalho de conscientização feito junto aos nossos funcionários e médicos que estão envolvidos no projeto de relatar imediatamente quando um paciente está grave. A ajuda da comunidade, com o trabalho de várias associações, também tem sido decisiva”, afirmou a médica Maria Auxiliadora Pedigone, diretora-técnica da Santa Casa. A captação de córneas na cidade aumentou expressivamente após a implantação do Projeto Luz, idealizado pelo médico urologista Otto Cezar Barbosa Júnior. A iniciativa é desenvolvida por uma equipe de médicos, técnicos e voluntários que se empenham para tentar convencer familiares de pessoas cuja morte cerebral foi diagnosticada a doar a córnea. Em 2006, a comissão bateu o seu recorde ao captar 603 córneas. O fato de um órgão ser retirado no município não significa, necessariamente, que ele será transplantado em um morador local. Após captada na cidade, a córnea é levada para a central regional em Ribeirão Preto, onde é processada e doada de acordo com a demanda ou com a gravidade do quadro dos pacientes que estão na fila de espera. “Com certeza, muitos pacientes da cidade já foram beneficiados. Somente na Santa Casa, já realizamos 93 transplantes. A este número, devem ser somados os transplantes de francanos realizados em Ribeirão Preto”, explicou a médica. Segundo informações da Secretaria Estadual de Saúde, o tempo de espera para realização de transplante de córnea no Estado caiu 90,2% nos últimos dois anos. As pessoas transplantadas em agosto deste ano aguardaram, em média, 20 dias para fazer a cirurgia. No mesmo período de 2007, o tempo de foi de 204 dias. Graças ao esforço em aprimorar a captação de córneas, atualmente o número de pacientes inscritos na lista de espera é praticamente igual ao total de órgãos captados e distribuídos para transplante. <b>ÓRGÃOS MÚLTIPLOS</b> A Comissão de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes instalada na Santa Casa também já retirou 84 rins, 40 fígados, seis pâncreas, cinco ossos e dois corações. Os órgãos em sua maioria são levados para a central de Ribeirão Preto, que deverá ser desativada para a unificação dos trabalhos em São Paulo. A médica Maria Auxiliadora demonstrou preocupação com a medida. “A gente fica preocupada, pois, com a proximidade de Ribeirão, havia a certeza de que daria tudo certo, que os órgãos chegariam lá em tempo hábil. Indo para São Paulo, é preciso de uma grande logística para que tudo continue dando certo. Vejo com apreensão esta mudança”.

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