Pelo menos 15 mil pessoas estão “fichadas” na polícia de Franca. Tiraram fotos e tiveram seus históricos criminais arquivados nas oito delegacias da cidade. Elas foram parar nos álbuns policiais por terem envolvimento em algum tipo de crime ou por levantarem algum tipo de suspeita. As informações são armazenadas em arquivos digitais com fotos, apelidos, filiação, características físicas, etc. Cada delegacia tem o seu banco de dados e troca informações com as demais. Os álbuns funcionam como uma espécie de “controle interno” para que os policiais conheçam os principais suspeitos de cada região da cidade como parte do trabalho de investigação. Para se ter uma ideia, o número de francanos “fichados” é equivalente à população de duas Cristais Paulista, que tem 7.392 habitantes.
As delegacias especializadas DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) concentram o maior número de casos e de investigadores, juntas somam o efetivo de 20 homens e respondem pelos maiores bancos de dados com mais de 10 mil fichas. “Elas auxiliam na identificação de ladrões, homicidas... Muitas vezes a gente acaba elucidando um crime porque testemunhas ou vítimas reconhecem em nossos arquivos o autor do crime”, disse Márcio Murari, delegado da DIG.
<b>JOIO E TRIGO</b>
No entanto, nem todas as pessoas que têm fichas são comprovadamente criminosas. “Quem é fichado pela polícia nem sempre é um bandido perigoso ou procurado, mas é uma pessoa que os policiais julgam ter ligação com algum crime”, disse o delegado seccional assistente, Alan Bazalha Lopes. Para ilustrar, o delegado citou usuários de drogas, flanelinhas e andarilhos como exemplos de pessoas passíveis de serem fichadas, mas nem sempre indiciadas. Isso porque, segundo ele, elas passam muito tempo nas ruas e geralmente têm contato direto com a criminalidade.
Quanto ao número de fichas, Alan Bazalha considera 15 mil pessoas em um universo de 336 mil francanos relativamente pequeno. “São cerca de 4,5% da população francana. A quantidade que bate com o que encontramos nas ruas, a parte que realmente cria problemas”, disse o delegado seccional assistente, Alan Bazalha Lopes.
<b>AVANÇO TECNOLÓGICO</b>
Ainda com a ideia de abastecer os investigadores com informações, a SSP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) começou a armazenar os dados enviados por todas as delegacias seccionais do Estado em um único cadastro, um álbum virtual.
As informações são coletadas pelo que a SSP chama de Central de Flagrante que reúne pelo menos dez sistemas dentro de um mesmo equipamento. O principal deles é o Fênix, um aparelho que tira fotos de todos os ângulos das pessoas, de marcas e medidas do corpo. Além disso, grava o timbre de voz e a impressão digital, únicos para cada pessoa. O sistema foi lançado no fim de 2006, chegou a Franca no dia 2 de setembro de 2008 e até a tarde de sábado tinha registrado 986 passagens de presos.
É como se a antiga “capivara” tivesse ganhado duas novas dimensões: som e imagem. Atualmente o sistema da Prodesp (Companhia de processamento de dados do Estado de São Paulo) informa aos policiais todas as “passagens” de um suspeito. Condenações, movimentação carcerária, indiciamentos, tudo é acessado através da pesquisa de um número seja da carteira de identidade, motorista, CPF, placa de veículo, registro de armas, etc.
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