‘Se tenho alguma coisa hoje, devo à cidade’


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DEDICAÇÃO - O presidente da Acif, João Cheade, em sua sala na associação: para ele, trabalho na entidade que reúne quase 3 mil empresários de Franca é uma forma de colaborar com Franca
DEDICAÇÃO - O presidente da Acif, João Cheade, em sua sala na associação: para ele, trabalho na entidade que reúne quase 3 mil empresários de Franca é uma forma de colaborar com Franca
<p>Todos os dias João Carlos Cheade, 62, chega à sede da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) às 9h, de onde só sai perto do meio-dia para almoçar. Depois, parte para o trabalho em sua construtora, a Conspen. Mas é na Acif que Cheade diz estar cumprindo um dever de cidadão francano. “Se eu tenho alguma coisa hoje, eu devo à minha cidade, então tenho a obrigação de devolver. Faço isso através da Acif que é com o que mais me identifico. Assim, dôo parte do meu tempo para colaborar com a cidade”, diz o presidente.<br />Engenheiro civil e dono da construtora, Cheade faz parte dos quadros da Acif há 20 anos. Foi conselheiro por quatro anos, membro da diretoria e vice-presidente por outros tantos. “Comecei a trabalhar na Acif com o Paulo Rubens de Almeida, quando ele foi presidente, em 1989. Sempre fui feliz por participar e ficar ao lado de quem pudesse me ensinar alguma coisa. Tenho grandes amigos aqui”, disse Cheade.</p> <p><br />Quanto à presidência da entidade, ele afirma nunca ter tido pretensões quanto a ocupação de cargos na associação. “Um grupo de pessoas se reuniu e me convidou, dizendo que era hora de eu dar uma contribuição maior. Fiquei muito honrado”, afirmou. O convite coincidiu com um momento de tranquilidade na administração de sua construtora. “Hoje atuo na Conspen como um conselheiro e meus dois irmãos trabalham como executivos. Assim, sabia que poderia dedicar boa parte de meu tempo à Acif”, disse ele.</p> <p><br />Na última sexta-feira, a Acif completou 65 anos e um novo desafio se desenha. A Prefeitura acaba de retomar uma área que seria usada para viabilizar a construção de um Centro Cultural e Empresarial, o principal projeto da associação para os próximos meses. Agora, ele promete levar a discussão para a Justiça.</p> <p><br />Foi uma semana inteira de comemorações. A programação da festa, que incluiu um jantar para os funcionários, um coquetel para a diretoria, um show com o músico Diego Figueiredo e uma missa para os associados, deve ser coroada com uma palestra da presidente do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano, no próximo dia 23.     </p> <p><strong>Comércio da Franca - O senhor está na Acif há 20 anos e há dois na presidência da entidade. De onde vem essa disposição para participar da associação?<br />João Cheade -</strong> Tenho uma afinidade muito grande com a associação. Meu pai foi executivo da Acif e eu era ainda menino quando vinha para cá “de calças curtas” e passava o dia com minha tia Amélia Cheade que era a única funcionária que a Acif tinha na época. Ela foi secretária por 33 anos. Assim fui tomando amor por isso aqui. Conheço a história da Acif como poucos e sempre tive a vontade de trabalhar aqui. Fazer alguma coisa por Franca. Se eu tenho alguma coisa hoje eu devo à minha cidade. Então tenho a obrigação de devolver isso através da Acif, que é com o que mais me identifico. Assim, dôo parte do meu tempo para colaborar com a cidade. Todos os diretores trabalham voluntariamente. </p> <p><strong>Comércio - São 2,8 mil associados, mas nem todos participam da ACIF. Eles não fortaleceriam a entidade e sua representatividade se estivessem mais próximos à entidade?<br />Cheade -</strong> Estamos trabalhando exatamente para conseguir isso. Todos devem tirar proveito da entidade. Nós oferecemos uma cesta de serviços muito grande. Mas muitos não conhecem porque não vêm aqui, não participam. Apesar de que nesses últimos anos a divulgação dos cursos e palestras tomou um vulto muito grande. Só este ano já passaram mais de 1,8 mil pessoas em cursos aqui dentro. Quem passa por aqui à noite percebe as luzes acesas praticamente todos os dias. </p> <p><strong>Comércio - É difícil comandar uma entidade como a Acif? Como ela funciona no dia-a-dia?<br />Cheade -</strong> Nós temos um gerente executivo, um assistente da diretoria, algumas pessoas que dão suporte e um grupo de coordenadores que formam um conselho gestor. Esse conselho se reúne periodicamente e distribui todo o trabalho que deve ser desenvolvido pela entidade. Ele chegou a um ponto de ter poder de definição das coisas principalmente na área de Recursos Humanos.<br />Na área de investimento, há um planejamento que é feito para o ano inteiro. Esse planejamento passa pelo conselho gestor para mostrarmos quais os investimentos que nós vamos fazer e de onde nós vamos tirar o dinheiro. É nessa hora que surgem os grandes desafios. </p> <p><strong>Comércio - Atualmente, Qual a estrutura da Acif em números?<br />Cheade -</strong> São 2,8 mil associados, 62 funcionários, investimentos de R$ 800 a R$ 1 milhão por ano. O orçamento é pequeno. Se você pegar a média de R$ 35 a R$ 40 a mensalidade (de cada um dos 2,8 mil associados) e multiplicar... Dá entre R$ 100, R$ 120 mil. Com 62 funcionários, isso não paga nem a folha de pagamento. Nós temos que fazer uma ginástica muito grande, abrir novos serviços e cobrar por eles. De grão em grão vamos colocando as coisas aqui dentro. </p> <p><strong>Comércio - Na prática o que faz a Acif? Qual é o seu papel?<br />Cheade -</strong> Representar nossos associados. Podemos até impetrar mandados de segurança contra qualquer assunto ou lei que seja contrário aos interesses deles. Por exemplo, fizemos uma defesa forte contra a renovação da CPMF. Mandamos cartas, convocamos nossos deputados e aproveitamos a Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo) para colocar nossa posição. Agora estamos empenhados em não permitir a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas também. </p> <p><strong>Comércio - Por que vocês são contra a redução?<br />Cheade -</strong> Porque acreditamos que com a medida tanto empresários quanto trabalhadores perdem. Eles vão ganhar a mesma quantia e vão trabalhar menos, mas o produto final vai ficar mais caro porque o empresário terá que repassar o aumento dos custos que isso vai representar para ele. Consequentemente, o poder de compra do trabalhador vai diminuir. Por outro lado, como vai haver um aumento no preço final, que é onde incidem os impostos principalmente, o único que vai ganhar nisso é o Governo Federal. E a consequência para o setor comercial, que tem horários diferenciados para atender ao trabalhador fora da sua jornada de trabalho, será absurda. Vai causar um transtorno muito grande. Esse nosso posicionamento deve ser levado até a confederação das associações, onde os deputados que fazem parte da entidade devem ser mobilizados. </p> <p><strong>Comércio - Esse é um exemplo do papel político que a Acif desempenha?<br />Cheade -</strong> É. Mas não fazemos política partidária. Sempre recebemos bem todos os partidos políticos, sem distinção. Na parte da política de associações, nós frequentemente sentamos à mesa com outras entidades de classe de Franca para discutir assuntos que sejam importantes para nossa cidade. É também a parte de defender os interesses dos nossos associados e assim de todos os empresários de Franca. E é bom que todos percebam isso.<br />Quer outro exemplo? Estamos participando ativamente da diretoria da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo. São 420 em todo o estado, divididas em 18 regiões cada uma delas com um vice-presidente. A maior região é a nossa e hoje temos essa vice-presidência, tiramos isso de Ribeirão Preto e trouxemos para cá. Hoje somos referência no Estado. </p> <p><strong>Comércio - O senhor já está à frente da Acif há mais de dois anos. Como o senhor avalia esse tempo?<br />Cheade -</strong> Fizemos tudo que estava ao nosso alcance para aumentar nossa cesta de serviços. Em segundo lugar, primamos por melhorar a qualidade dos serviços de uma forma geral. Fizemos uma remodelação física em todas as instalações da Acif. No entanto, uma avaliação do nosso trabalho quem tem de fazer é o associado. </p> <p><strong>Comércio - Quais serviços seriam esses?<br />Cheade -</strong> Trouxemos a Câmara de Mediação, a Incubadora de Empresas, a Certificação Digital, o projeto Empreender e o Proe Estágio, programa para encaminhar e capacitar estudantes para o mercado de trabalho, por meio do cadastramento de empresas, candidatos, abertura de vagas. Outra coisa importantíssima é o nosso cartão Accredi, que pode ser usado para obtenção de crédito consignado e em uma segunda etapa, a partir da semana que vem, como cartão alimentação. Esse nosso cartão é diferente. É mais barato porque não cobra pela emissão do cartão, cobra uma pequena parcela das lojas credenciadas, desse valor a maior parte fica aqui em Franca, e você só pode comprar nas lojas credenciadas da cidade. Então o dinheiro só gira aqui dentro de Franca. Apesar de todas essas novidades, nosso principal serviço ainda é a Central de Proteção ao Crédito que temos aqui dentro. Ela defende os interesses de todos os comerciantes e industriais. Hoje só vende mal quem não pega informação com o SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). </p> <p><strong>Comércio - Com tantos novos serviços lançados nesses últimos dois anos, agora é tempo de consolidar?<br />Cheade -</strong> É estamos dando uma atenção especial a isso e acredito que até março estaremos com todos esses serviços consolidados. Veja você que, com tudo isso, não inventamos nada. Tudo o que estamos fazendo hoje são ideias de alguns diretores que não puderam colocar em prática e nós estamos realizando. São homens que fizeram a cidade, como Américo Palermo, por exemplo. Ele foi responsável pela fundação do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca) e a Amcoa (Associação de Manufaturados de Couros e Afins). O Sindicato do Comércio Varejista também nasceu aqui dentro... É lógico que vão aparecendo novas oportunidades. Um dos objetivos é fazer um Centro Empresarial aproveitando a estrutura dos antigos pavilhões da Francal, ao lado do Poli. Foi uma proposta que fizemos ao prefeito para a montagem de um salão de eventos. Precisamos incrementar esse setor na cidade. </p> <p><strong>Comércio - Um decreto foi publicado ontem no Comércio pela Prefeitura, fazendo a retomada da área do Centro Cultural e Empresarial. Como o senhor avalia o caso?<br />Cheade -</strong> Aquele terreno foi permutado com o Centro Empresarial quando os pavilhões da Francal eram das empresa de Franca, dos Sindicatos e Associações. A Justiça agora é que vai determinar se esse decreto tem validade ou não. Sei que ele ia fazer isso. E nós vamos tomar nossas providências e o Centro Empresarial vai responder a esse decreto e a Justiça vai determinar quem tem razão. </p> <p><strong>Comércio - Ou seja, vocês vão brigar na Justiça pela manutenção da área?<br />Cheade -</strong> É claro, não posso ficar dando área para os outros. A área é nossa, do Centro Empresarial. Nós achamos que ele não tem razão e é por isso que nós vamos à Justiça. </p> <p><strong>Comércio - O senhor vai procurar a Justiça logo na segunda-feira?<br />Cheade -</strong> Não...  Na segunda-feira nós devemos nos reunir com os advogados da Acif e do Sindifranca. </p> <p><strong>Comércio - A alegação da Prefeitura é que a doação foi feita há 19 anos e nada foi feito. Isso já não extrapolou os prazos?<br />Cheade -</strong> Como nada foi feito nos Pavilhões da Francal nos 19 anos... (a associação pretendia trocar com a prefeitura o terreno que possuía na Avenida Alonso Y Alonso pelos pavilhões da antiga Francal, no Póli, para a instalação de um Centro Cultural e Empresarial) </p> <p><strong>Comércio - E haveria de ser feito algo lá?<br />Cheade -</strong> Mas, se era dos empresários, porque eles tomaram? Eles iam utilizar, não utilizaram também. Agora só a Justiça vai determinar isso. </p> <p><strong>Comércio - A Prefeitura diz também que há alguns débitos de IPTU que não foram pagos neste período. O senhor confirma essa informação?<br />Cheade -</strong> Também será resolvido na Justiça. </p>

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