Parece absurdo, mas, qual a dificuldade em `humanizar` um hospital? Por que grande parte das pessoas que trabalham em um Hospital está doente? Não me refiro às doenças que conhecemos (sarampo, AIDS, Gripe A (H1N1) ou sarna) e sim, à doença da insensibilidade, do descaso, do despreparo, da falta de carinho e da falta de solidariedade.
Que ninguém diga que de tanto conviver com doenças e tristezas os profissionais da saúde tornaram-se frios. Conheço alguns profissionais (médicos, enfermeiras e atendentes) que há 30 anos fazem a mesma coisa e sempre demonstram compaixão com a dor e o sofrimento alheio.
Tenho, já há algum tempo, refletido sobre esse assunto e uma dúvida me incomoda: será que alguns enfermeiros e atendentes têm consciência de que lidam com a dor? Será que eles `percebem` que as pessoas que procuram o hospital estão de alguma forma e em alguma proporção, sofrendo?
Infelizmente, nos últimos meses, estive por algumas vezes em um dos hospitais francanos levando minha esposa para tratar de terrível dor de cabeça. Naquele ambiente, observando, tive a `oportunidade` de presenciar e refletir sobre o que questiono.
Dois fatos me incomodaram muito. O primeiro é que na recepção, não há absolutamente ninguém para fazer uma triagem do grau de urgência apresentado pelo doente. Alguém que tenha um mínimo de conhecimento ambulatorial para avaliar a urgência e agilizar, ou não, o encaminhamento do paciente. Infelizmente, tudo que o paciente houve do atendente é: "trouxe a carteirinha?".
Depois de muito esperar na recepção, passa-se para a segunda parte do martírio: a "estadia` ambulatorial". Nessa fase o desrespeito de muitas(os) enfermeiras(os) para com os pacientes que estão sendo medicados e ficam aguardando por melhora é ainda muito maior. Alguns desses profissionais (animados pelo companheirismo de alguns médicos) ficam conversando (muitas vezes, quase gritando), rindo e fazendo barulhos de todo tipo, desrespeitando a condição presente dos pacientes. É um total desprezo ao ser humano. Da última vez em que lá estive, uma enfermeira quase virou do avesso as gavetas de uma mesa de tanto batê-las e havia, ao meu lado, uma senhora chorando de dor.
Bem, a verdade é que em qualquer atendimento médico (hospitalar ou não) a forma como somos recebidos e tratados traz um enorme conforto e tranquilidade no tratamento. Eu sempre disse (ainda que apenas especulando) que em um consultório médico, parte da cura do paciente está na forma com que o médico ouve e se relaciona com ele. A atenção é fundamental para o paciente se sentir amparado e bem cuidado. No hospital não é diferente. Há apenas o fato de que depois dos "dez minutos" do médico, entra a(o) enfermeira(o) com a sua atenção e cuidado.
Portanto, senhores(as) administradores de hospitais, falta na formação dos seus profissionais, carinho. Falta ensiná-los mais do que técnicas em saúde, noções de respeito e solidariedade com quem está ali não a passeio, mas doente.
Sugiro que leiam o poema de cordel "A história do hospital que resolveu fazer humanização", disponível em http://www.rnsites.com.br/cordeis-hospital.htm. Entre outras, diz: "Todos ali tratam bem / Do Porteiro ao Direto / Maqueiro, Carregador / O Enfermeiro também / Médico e Nutricionista / Junto ao Laboratorista / Acabou-se o desdém".
<B>Cassiano Pimentel</B>
<I>Agente de exportação e professor universitário</I>
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