Dispensa em escolas cria atrito entre dirigente e Prefeitura


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A decisão de escolas da rede estadual de ensino em Franca de cancelar aulas e dispensar alunos sob suspeita de contágio do vírus H1N1, que provoca a gripe suína, está gerando descontentamento na Secretaria Municipal de Saúde. O caso mais recente ocorreu ontem na Escola Estadual “Jerônimo Barbosa Sandoval”, na Vila Nicácio. Após chegar com o resultado do exame rápido feito na rede pública de saúde, positivo para o H1N1, o aluno de 9 anos, matriculado na terceira série do nível fundamental naquela escola, foi dispensado das aulas, assim como todos os demais colegas de classe, que foram orientados, em bilhetes enviados aos pais, a retornar na próxima segunda-feira. A escola não informou a quantidade de alunos. No dia 8 de setembro, a Secretaria de Educação do Estado confirmou que cinco escolas (David Carneiro Ewbank, Maria Pia Silva Castro, Adalgisa Gualtieri e Suzana Ribeiro Sandoval) teriam fechado salas com, em média, 35 alunos cada uma. Na Escola “Helena Cury Tacca”, do Jardim Tropical, foram afastados estudantes de duas classes. As aulas estariam sendo suspensas por determinação da Diretoria Regional de Ensino. De acordo com o secretário de Saúde de Franca, Alexandre Ferreira, a medida contraria protocolos de autoridades na área de saúde, que determinam a interdição apenas em estabelecimentos de ensino que apresentem mais de 20% dos alunos de uma classe sob suspeita de contágio. Para Ferreira, dispensar uma classe inteira de alunos é uma deliberação administrativa da dirigente de ensino, mas um erro do ponto de vista prático, quando levadas em conta as determinações do Ministério da Saúde. Primeiro, diz Ferreira, os três dias de dispensa não adiantarão de nada caso o garoto da terceira série tenha mesmo contraído a doença. O período mínimo de quarentena para crianças de menos de 12 anos é de 14 dias. Para maiores, uma semana de isolamento. Em segundo lugar, o erro está em considerar a criança com sintomas da gripe como infectada de fato, e, com isso, dispensar todos os demais. “As diretoras e a dirigente de ensino estão criando uma situação de alarmismo que não contribui em nada para resolver o problema. Pelo contrário, criam um quadro de pânico, que não trará resultado algum”, criticou o secretário. “Quando procuradas, ninguém sabe dizer de onde partiu a ordem. Para piorar, não conseguimos nos aproximar da direção de ensino para mostrar que estão agindo errado. Ninguém mais em faculdades ou escolas particulares está fazendo isso”. Ferreira ficou sabendo do caso do aluno da “Jerônimo Barbosa” pela reportagem. Antes de tomar conhecimento deste que pode ser a mais nova confirmação, ele afirmou que ainda não é o momento de adotar medidas contra a Direção Regional de Ensino nem sua responsável. “Se percebermos que casos estão sendo omitidos, vamos evocar o Código Sanitário do Estado, que é claro quando fala da obstrução aos órgãos de saúde em caso de epidemias. Do contrário, ter ou não aulas, fechar ou não escolas, é um problema deles”. <b>O OUTRO LADO</b> Na Escola “Jerônimo Barbosa Sandoval”, a vice-diretora, identificada por Maria Isabel, disse que a dispensa seguiu determinações da Diretoria Regional de Ensino. A reportagem entrou em contato com a dirigente Ivani Marchesi que, por volta das 17 horas, alegou desconhecer a interrupção das aulas. “Você está sabendo mais do que eu porque até agora não fui comunicada oficialmente”, disse. Questionada sobre os recentes fechamentos de salas e dispensas de classes, Marchesi disse que está seguindo orientações do Ministério da Saúde para determinar a continuidade ou não das aulas. Em determinado ponto da conversa, a dirigente disse que sabe que apenas classes com contágio em mais de 20% dos indivíduos deveriam ser dispensadas, mas não soube explicar por que a classe da Escola “Jerônimo Barbosa” teve as aulas suspensas por três dias. “Chamei a diretora aqui e estou esperando explicações”, afirmou ela.

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