Agentes da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca fecharam, ontem à tarde, uma banca de jogo do bicho no Bairro Nova Franca. Na ação, os donos da banca - um comerciante de 64 anos e sua filha de 42 - foram identificados como integrantes de um grupo que domina parte da jogatina em Franca.
De acordo com o delegado Adolfo Domingos da Silva Júnior foram necessários oito meses de investigações para que fosse provada a ligação entre a banca "estourada" ontem e um bingo clandestino descoberto na Estação em julho de 2008. "O número de envolvidos pode chegar a sete. As investigações continuam. Além disso, suspeitamos que pelo menos outros três locais descobertos pela polícia este ano tenham relação com o grupo", disse o delegado.
Além dos donos da banca do jogo do bicho, dois sapateiros também foram detidos ontem no local. Eles faziam a "recolha", ou seja, passavam de moto pelos pontos onde as apostas eram feitas, recolhiam os talões com as anotações e o dinheiro e levavam para a residência do comerciante. "Na casa, os papéis e rendimento do dia eram separados para que fosse feito o pagamento de eventuais ganhadores. Todo o material, incluindo cerca de R$ 1 mil em dinheiro e quatro motos, foi apreendido", disse Adolfo Domingos.
Ainda segundo os policiais, a movimentação financeira era registrada em um `livro caixa` encontrado no local e que será analisado pela perícia. "Acreditamos que a movimentação total do dia chegue a R$ 3 mil e, por mês, a R$ 90 mil", afirmaram os investigadores Marcos Euclides e Renato.
<b>SURPRESA</b>
Após oito meses de investigações, a polícia conseguiu um mandado de busca e apreensão para a casa "estourada" ontem. "Ficamos dois dias de campana para escolher a melhor hora para agir", disse Renato. O momento escolhido foi o meio da tarde, pouco antes dos dois funcionários da banca responsáveis pela recolha chegarem ao local. Os policiais ainda tocaram a campainha, mas como não foram atendidos, arrombaram o portão. O barulho assustou a proprietária, que de acordo com a polícia tentou se livrar de alguns talões.
RGB nega. "Eu estava dormindo na hora que tudo aconteceu. Foi o maior susto!", disse ela. Depois de ouvir todos os envolvidos o delegado lavrou um termo circunstanciado por exploração de jogo de azar e estuda o enquadramento do grupo por sonegação fiscal. "O caso envolve uma grande movimentação financeira não declarada ao fisco", disse Domingos.
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