Desinformação, medo generalizado e uma boa dose de preocupação levaram muita gente com suspeita de ter contraído o vírus H1N1, a gripe suína, a procurar o pronto socorro municipal e hospitais particulares em Franca durante toda a semana. Na segunda-feira passada, o movimento estava nitidamente acima da média, resultado de três dias seguidos alternados entre chuva e temperaturas baixas.
A reportagem esteve no pronto socorro municipal Doutor Janjão e no Hospital São Joaquim todos os dias em mais de um horário entre segunda e sexta-feira. O que se viu foram pessoas se aglomerando nas recepções, muitas com máscaras entregues pelos próprios funcionários das unidades, medida que vem sendo adotada como prevenção em pessoas que apresentam os sintomas da gripe e em acompanhantes.
Na segunda-feira, feriado de Sete de Setembro, por volta das 12 horas, ao menos 12 pessoas podiam ser vistas usando as máscaras enquanto aguardavam atendimento no Janjão. A sala de espera estava lotada.
Segundo o secretário municipal de Franca, Alexandre Ferreira, passaram pelo pronto socorro naquele dia perto de 1.350 pessoas, quase 50% a mais que em um dia comum, quando movimento chega, no máximo, a 900 pacientes consultados. Por volta das 16 horas, o movimento era menor. Às 21 horas do mesmo dia, 27 pessoas esperavam para ser atendidas. Três delas apresentavam sintomas da gripe.
Uma cabeleireira que tem seu estabelecimento no Centro de Franca deixou o PS Janjão amparada por uma amiga, usando a máscara. No domingo, um dia depois de receber uma cliente vinda da Europa em seu salão começou a passar mal, apresentando dores, febre alta e dificuldade para respirar. Foi ao pronto socorro, fez exames, mas não recebeu diagnóstico de gripe suína. Após um período de 48 horas em observação, deveria ter ido buscar o resultados de exames que fez no início da semana, mas até ontem, no final da tarde, não tinha voltado à unidade medica.
Seu caso ilustra bem a busca frenética por atendimento médico que tem elevado o número de procedimentos numa semana que, oficialmente, Franca computa 19 casos suspeitos e dependendo dos resultados de laboratórios, 14 confirmados - um foi descartado pela Secretaria de Saúde -e duas mortes em decorrência da doença.
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Entre as pessoas encontradas pela reportagem nos dois locais visitados, as histórias são quase sempre as mesmas: nenhuma indisposição ou quadro clínico anterior que pudesse explicar os sintomas que tomam conta do corpo em questão de horas.
Esse era o caso de uma mulher, de 25 anos, funcionária de uma rede de supermercados em Franca. Na porta do Janjão, mal conseguia ficar de pé. “Eu não tinha nada, nada, ontem. Comecei a me sentir mal à noite e hoje já não consegui mais trabalhar”, disse ela, na segunda-feira, sem revelar o nome.
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