‘Transilândia’


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Dias atrás estive na 21ª CIRETRAN de Franca, local que tem o nome de meu pai, por iniciativa do deputado estadual Gilson de Souza. Um dos motivos que levaram o deputado a consolidar a honraria foi a criação inédita da "Transilândia" por Mansur Jorge Said, em 1974. Trata-se de uma Franca, em miniatura. Nela se encontram, respeitados os formatos originais, imóveis públicos e outros que simulam residenciais e comércios, em torno de vias públicas asfaltadas e detentoras de todos os dispositivos de sinalização de trânsito. Sua finalidade é proporcionar às crianças das redes pública e particular de ensino, na faixa etária de 6 a 12 anos, educação e cuidados com o trânsito. Quando me deparei com a mini-cidade fui acometido de sensação saudosista. Olhei de novo. Parecia que tinha diminuído de tamanho. Coisa de criança que imagina um oceano enquanto brincam em uma poça de água, como dizia Carlos Novais. A cidade mirim estava despovoada de seus moradores. Não havia nenhuma criança transitando por sua ruas. Perguntei e fui informado que, em breve, a atividade voltará à Transilândia. Este Comércio noticia, rotineiramente, o aumento considerável de vítimas de atrocidades causadas por motoristas despreparados, imprudentes, alcoolizados etc. Aumentam cada vez mais, também, as estatísticas de motoristas que perdem o direito de dirigir, bem como a dos autos de infrações lavrados pelas autoridades policiais. É certo que o infrator deve ser punido, mas é óbvio que é se trata apenas de ação imediata punitiva que não resolve nada a longo prazo. O fator principal que é oferecer às crianças uma educação de trânsito constante e pontual não é mais priorizada, como se dava antes. Com efeito, não se vê investimentos significativos da parte dos órgãos públicos em programas de prevenção de acidentes e de formação e educação de trânsito, principalmente naqueles em que a criatividade possa estimular crianças. Não se pode falar em falta de recursos pois isso existe: 10% do que se arrecada com o DPVAT e 95% do que os municípios arrecadam com multas, devem ser destinados para tal finalidade. Neste cenário orgulho-me de meu pai e de sua "Transilândia". Foi idéia de vanguarda nos anos 70 e permanece ainda como método moderno de ensino, já que a criança adquire cidadania brincando. Por outro lado, vejo que o instrumento que ele criou não está sendo bem utilizado. As escolas de ensino fundamental deveriam programar atividades para aquele ambiente. É certo que quanto mais crianças habitarem a "Transilândia", menores serão as tristes estatísticas de trânsito do futuro. Karl Mannheim afirma que "`O que se faz agora com as crianças é o que elas farão depois com a sociedade". Mansur Jorge Said Filho Advogado, mestre em Direito Privado, vice-presidente seccional da comissão `OAB vai à Faculdade`

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