Setenta dias depois


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Na semana passada foi sepultado o corpo do cantor Michael Jackson, após 70 dias do falecimento. Não se pode negar que se tratava de um astro admirado por todos os que apreciam música pop. Fez parte do grupo `The Jackson Five`, integrado por ele e seus irmãos, e que fez, também, muito sucesso. Excentricidades à parte acreditamos que ele veio à Terra em missão junto ao povo americano e com implicações mundiais. Provavelmente seu trabalho principal era mostrar ao mundo em geral e aos americanos em particular, o valor da raça negra, sofredora de muitos preconceitos. Assim, ao alcançar os píncaros da glória tendo passado pelo que passou na infância e adolescência, mostrou a todos seu valor não se apegando ao sofrimento como tábua de salvação e justificativa para a acomodação. Mas, poderíamos perguntar: e com o espírito que habitou aquele corpo o que aconteceu durante os setenta dias? Ensina o Espiritismo que o desligamento dos laços que prendem o espírito ao corpo depende da evolução espiritual e do modo como ocorreu a desencarnação de cada um. Uns poderão ter um desligamento muito rápido, havendo casos, raríssimos, aliás, nos quais o próprio desencarnante participa do desligamento. No geral, há um estado de torpor, de sonolência, que dura variavelmente, de algumas horas a alguns anos; isso em decorrência do apego do espírito à vida material. Por outro lado, aqueles que padecem de uma longa enfermidade podem ter um desligamento mais facilitado. Dai, porque o Espiritismo desaconselha veementemente a prática da eutanásia. Na morte por acidente violento que colhe o encarnado de sopetão, não havendo mérito espiritual, o desligamento será conduzido por equipes espirituais especializadas e demandará algum tempo para que o processo se efetue totalmente. Podemos afirmar, com a Doutrina Espírita, que assim como não há processo reencarnatório igual a outro, também, não há um processo desencarnatório igual a outro. Tudo depende do merecimento e da situação pela qual ocorreu a desencarnação. Vale lembrar, por outro lado, que tudo está sob o domínio das Leis Divinas que a tudo presidem e a tudo dão providência. No caso do famoso cantor não há dúvida que ele foi assistido por equipe que cuidava da sua desencarnação. É provável que ele já estivesse desligado do corpo há algum tempo, à vista das vibrações carinhosas que recebia de toda parte. E estas influem, e muito, em todo o processo. Por isso o Espiritismo tem uma visão esclarecedora do velório. É um momento muito importante para o espírito que se desliga do corpo físico. É hora de prece, de oração, de meditação, de vibração positiva em favor do que retorna ao mundo espiritual. Vibremos, assim, em favor do espírito de Michael Jackson para que ele, o mais rapidamente possível, recobre a integridade do espírito que é. <b>Felipe Salomão</b> <i>Bacharel em Ciências Sociais e membro do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)</i>

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