O esquema de prostituição infantil em Franca, que envolve garotas de 13 a 17 anos, fica maior a cada passo da investigação policial. Quatro meses após a primeira denúncia, o número de meninas envolvidas saltou de 10 para 13; novos acusados de contratá-las surgiram e as histórias relatadas ficam cada vez mais surpreendentes. Até agora, o grupo de aliciadores tem pelo menos cinco homens. Os envolvidos são empresários e políticos. Todos negam participação no esquema.
A apuração foi intensificada em meados de agosto. Em apenas 15 dias os policiais da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Franca ouviram 18 pessoas: três acusados, cinco garotas vítimas da rede, quatro mães, três prostitutas e três donos de bares e boates citadas pelas menores. "A cada depoimento, surge um novo nome a ser averiguado e uma nova vítima a ser ouvida. As história contadas pelas meninas são divergentes, mas têm pontos em comum. E foi exatamente neles que decidimos centrar nossa atenção", disse a delegada Graciela David Ambrósio que conduz as investigações.
De acordo com a autoridade, falta apenas ouvir outros dois acusados. "Eles já foram identificados e devem comparecer à DDM nos próximos dias, mas não há ainda previsão para o término das investigações", disse ela.
Outra parte da investigação tenta descobrir como e porquê seis adolescentes francanas com idades entre 13 e 15 anos foram parar no Rio de Janeiro. Pegando carona à beira de estradas, elas viajam sempre em duplas. Em seus depoimentos estão registradas histórias surpreendentes de prostituição e tráfico de drogas na praia de Copacabana e em favelas da Baixada Fluminense (Leia texto nesta página). "Devido à gravidade das denúncias e ao fato de envolver um outro Estado, encaminhamos um pedido ao Juiz da Vara da Infância e Juventude, José Rodrigues Arimatea, para que a Polícia Federal entre no caso", disse Graciela.
Duas delas retornaram à cidade na última sexta-feira depois de passarem dois meses na capital carioca. As garotas foram submetidas a exame médico e ontem pela manhã prestaram depoimento na DDM.
Aliviada por ter a filha de volta em casa, AMP disse que as duas (que são vizinhas no Bairro Miramontes) passam bem. "O médico disse que minha filha está com infecção vaginal, mas não é nada grave, graças a Deus", disse a dona de casa.
O Conselho Tutelar acompanhou o depoimento das garotas que, em seguida, foram encaminhadas para atendimento no CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social). Para a conselheira Ely Vitoriano, a vida das adolescentes segue normalmente. "Elas estão em casa com a família e devem passar por psicólogos. A orientação da Prefeitura é para que tenham atendimento prioritário", disse a conselheira.
Tanto a Polícia Federal quanto o José Rodrigues Arimatea foram procurados pelo Comércio da Franca e não quiseram falar sobre o caso.
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