O governo de FHC já havia sucateado as Forças Armadas em suas duas gestões, ou `congestões`, como queiram. Para sepultar de vez a Defesa Brasileira, o atual governo não `desvia` verbas para alimentar as tropas do Exército. O termo seria `desviar`, visto que fazem tudo o que é "inimaginável" para legalizarem o ilegalizável. Assim, convido o nobre leitor a raciocinar às avessas. É fácil. Imaginem que tudo o que é ilegal, imoral e engorda as contas deles no exterior, seja lícito e que todos os contratos e licitações previstos em legislação específica aprovada e sancionada para nada prestem. Conjeturem, por exemplo, na hipótese de a fábula arrecadada em impostos pelo governo federal servir para atender a saúde, a segurança, a educação, o lazer, os quais são direitos sociais deles, os donos do poder e não da população que os elege.
Para se ter uma idéia da dimensão do problema, enquanto o Exército Brasileiro fica sem o que comer nos quartéis, a tropa de marketing do governo oficializa a compra de aviões caças, helicópteros e a construção de submarinos nucleares, segundo dizem, por preocupação com a defesa. O que a população desconhece são os bastidores desse tipo de negociação. Segundo se informa alguns aviões já estariam sendo montados aqui no Brasil e que algumas empresas que fabricam aviões desse gênero, inclusive uma sueca foram preteridas, confirmando a desconfiança que o acordo foi fechado bem antes com a França.
Enquanto isso, ameaças à soberania do País continuam, seja por terra, nas fronteiras com as narcoguerrilhas ou com os governos que são apoiados por associações criminosas; por mar, através dos acordos internacionais com empresas que exploram nossas riquezas mais a IV Frota Naval Americana; pelo ar, onde se sabe que aviões `alienígenas`, sem permissão, realizam pesquisas em território amazônico; ou – por que não? – pela própria rede mundial de computadores que, sob a desculpa de democratizar a informação acaba, em alguns casos, por difundir a anarquia que é o oposto de democracia.
As Forças Armadas Brasileiras estão desarmadas em todos os sentidos, inclusive moralmente. Maquiavel advertia que, `entre outros males, estar desarmado significa ser desprezível`. E é assim que nos encontramos. Em pleno século XXI e com o poder nas mãos de civis há mais de 20 anos, o Brasil ainda não acordou para essa realidade. Ainda existem os que acreditam que a maior guerra é a da informação e a de mercados. Triste engano. Se assim fosse a Venezuela não investia em armamentos, importando da Rússia navios com contêineres lotados de armas.
Há, inclusive, líderes políticos que – veladamente – são inimigos das Forças Armadas. Nesse aspecto surge a questão: o Brasil e o povo têm de temer as ameaças externas ou as internas? O perigo está lá fora ou aqui dentro?
A ameaça à soberania nacional é tamanha que a ONU, ONGs, OEA e muitos Estados estrangeiros já não reconhecem o indígena como brasileiro, e não é porque gostam muito deles. Gostam e necessitam hegemonicamente é das riquezas que se encontram as terras – dos indígenas – demarcadas. Basta uma breve pesquisa sobre a Reserva Raposa-Terra-do-Sol para que se conclua que os metais estratégicos lá existentes são objetos de cobiça internacional.
Essa orientação míope e retrógrada de nossas lideranças põe tudo a perder, inclusive parte do território; mas, de um país onde seus `líderes` suprimem o específico para adotar o genérico, não se pode esperar muito.
<b>Nadir Ap. Cabral Bernardino</b>
<i>Advogada formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental</i>
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