José Eurípedes de Oliveira e Natanael Alves nasceram no dia 7 de maio de 1961. Mas José Eurípedes era para ser Natanael. E Natanael era para ser José Eurípedes. Pelo menos é nisso que acredita boa parte dos parentes mais próximos aos dois. Como eles, os familiares desconfiam que ambos protagonizaram uma história de novela. Teriam sido trocados na Santa Casa de Franca, ainda recém-nascidos. Não existem provas. A crença se baseia nas diferenças físicas dos dois com as mães e irmãos e na afirmação de uma das mães que diz ter percebido a confusão ainda no hospital. A família deseja fazer exames de DNA para sanar a dúvida.
José Eurípedes e Natanael se conheceram pessoalmente há cerca de dois meses, aos 48 anos de idade. No primeiro encontro, ficaram surpresos com as semelhanças entre eles, os irmãos e as progenitoras. “Acho que pareço com a Maria das Dores, que seria minha mãe biológica. Meu nariz é igual ao dela. O pé do meu filho, que é torto, é como o dela também. Via o pé dele desse jeito e não sabia de quem tinha puxado. Sinto do fundo do meu coração que a dona Maria das Dores é minha mãe”, disse o sapateiro Natanael, que é negro e foi criado pela dona de casa Maria Claricinda Vicente, 74, que tem pele branca. Desde pequeno, Natanael ouviu dos pais que havia sido trocado. “Ela me contou que não era minha mãe verdadeira, mas que iria me criar. Acreditava nisso porque os outros filhos dela são todos claros”.
Maria Claricinda está convencida de que os bebês foram trocados pelas freiras, que auxiliavam nos atendimentos da Santa Casa naquela época. A troca teria ocorrido no momento que levaram os nenês para serem amamentados. Ela e Maria das Dores ficaram internadas no mesmo espaço. Maria Claricinda diz que notou a confusão e que o marido dela chegou a procurar a delegacia e o próprio hospital, mas não conseguiu resolver o problema. “Decidimos criar o Natanael como se fosse nosso filho. Sofri muito, mas sabia que meu filho estava perdido por aí. Esperei 48 anos chorando até achar ele. Sou evangélica e Deus me ‘disse’ que devolveria o filho que tiraram dos meus braços e Ele fez isso”, disse ela.
A doméstica Maria das Dores Alves, 72, por sua vez, garante que não houve troca dos filhos. “Não conheci ela (Maria Claricinda). Não me lembro dela na Santa Casa. O José Eurípedes é meu filho”. Ela é negra e José Eurípedes, mais conhecido como Zum, é moreno claro. “Meu marido era branco, por isso ele tem a pele dessa cor”.
O comerciante José Eurípedes confessa que sempre teve dúvidas em relação à família por ser muito diferente da mãe e dos onze irmãos. “Tinha algo diferente. Me achava diferente dos irmãos e da minha mãe, que é negra. Para mim, é muito difícil essa situação. Fico magoado porque se a troca realmente aconteceu, não conheci meu pai biológico porque ele faleceu. O lado bom é que me sinto um privilegiado porque tenho duas mães”.
<b>SEM DÚVIDAS</b>
Os familiares, inclusive Maria das Dores, estão em busca de descobrir se realmente houve a troca. Em dois laboratórios consultados em Franca, os exames de DNA que comprovaria o parentesco custam cerca de R$ 800. Neste caso, seriam feitos dois testes: de cada mãe com o suposto filho verdadeiro. O material coletado será remetido para Belo Horizonte (MG) e o resultado demorará 30 dias para ficar pronto. A assessoria de comunicação da Santa Casa disse que o hospital não processa esse tipo de exame. A instituição também não informou dados dos pacientes. José Eurípedes e Natanael pedem ajuda para pagar os exames, pois alegam não ter condições financeiras para fazê-los.
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