Tropa monta bloqueios em diversos pontos


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SUSTO - Militar é observado por morador em posto de controle; apesar do susto inicial, operação foi apoiada pela população
SUSTO - Militar é observado por morador em posto de controle; apesar do susto inicial, operação foi apoiada pela população
Na hidrelétrica de Jaguara o objetivo das tropas era resguardar a área industrial da usina contra eventuais ataques inimigos. Na jusante - área próxima às comportas - e por até 30 quilômetros através do Rio Grande, as tropas federais fizeram patrulhamentos com abordagens fictícias e reais, apoiadas pela Polícia Ambiental de Minas. A participação da polícia estadual se fez necessária primeiro pela característica da operação e, depois, pela impossibilidade jurídica de os militares efetuarem prisões. Na possibilidade de algum flagrante, a Polícia Militar seria a responsável pela autuação. Foi o que aconteceu nas ruas da cidade, onde, de forma itinerante, os pontos de bloqueio eram montados e desmontados conforme avaliação do comando. O promotor de Justiça José do Egito de Castro Souza foi um dos motoristas parados e identificados em uma rua próxima à região central. Reagiu bem à abordagem: “Estou até surpreso porque não sabia que tinha tanto militar na cidade. Para a sensação de segurança é bom. A iniciativa tem que ser apoiada”, disse ele antes de ser liberado. Na cidade ou na represa, as simulações ocorriam o tempo todo, envolvendo um número indefinido de militares em trajes civis, chamados de força oponente, desconhecidos de grande parte do contingente que se encontrava em Sacramento. Logo que chegou ao parque de exposições, a reportagem foi logo abordada por três pessoas que queriam de qualquer forma falar com o comandante. Eram soldados disfarçados que faziam parte da simulação. Foi o que aconteceu na Câmara Municipal, onde outro grupo forjou uma tentativa de invasão ao prédio ou na represa de Jaguara, com embarcações que desafiavam a fiscalização das tropas embarcadas no Rio Grande. “O adestramento da tropa é uma questão de necessidade, porque sabem que no Haiti essas situações poderão ser rotineiras. Para nós, aqui, é importante identificar o problema e saber atuar, não por impulso, mas com profissionalismo”, disse o capitão Alexandre Eloi Galego. “Os homens sabem que não é real, mas aí entra todo o treinamento que recebem. Nas simulações, fazemos com que as ações sejam as mais próximas possíveis da realidade, até o limite do bom senso”, acrescentou o oficial, que é de Brasília. Para quebrar o impacto que a presença dos militares representou, o comando colocou médicos e dentistas para atender a população em postos de saúde. Pessoal de engenharia também foi destacado para recuperar estradas rurais, o que também serve para treinar os soldados na recuperação de rodovias. Na noite de quarta-feira, a banda de música do batalhão se apresentaria na cidade, como parte da política de boa vizinhança. O 36º batalhão de Uberlândia já participou de operações no Haiti entre os anos de 2006 e 2007. Dentro do rodízio que o Exército realiza com seus quartéis, o da cidade mineira está cotado para voltar ao país caribenho no segundo semestre de 2010. [FOTO2] Sobre a “ocupação” de Sacramento e Jaguara, o tenente-coronel Leite acredita que a população, mesmo com algum transtorno, entende o caráter da operação e aceita a presença dos soldados. “Creio que o retorno seja positivo. Em pesquisas de opinião pública, a última realizada pelo Ministério Público Federal, o Exército apareceu em primeiro lugar. Acredito que se isso fosse divulgado para as cidades do interior, a imagem seria outra. Mas ainda assim é muito positiva”, afirmou. A direção da Usina de Jaguara não permitiu que a reportagem, que esteve no local em dois horários - 8h20 e 16h45 - entrasse para acompanhar as operações no interior da hidrelétrica.

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