A cidade de Sacramento (MG), com 22 mil habitantes e a pouco mais de 85 quilômetros de Franca, teve a sua rotina completamente alterada por uma operação do Exército que começou segunda-feira e terminou quarta-feira envolvendo perto de 530 soldados. Dezenas de veículos, embarcações e quatro helicópteros de diversas unidades também foram empregados em simulações de situações reais em ambiente urbano e na Represa de Jaguara. O objetivo era preparar a tropa para uma possível ida ao Haiti, onde o Brasil lidera missão de paz. Paralelo ao exercício tipicamente militar, os soldados ainda desenvolveram ações de saúde e de infraestrutura.
Toda a operação, idealizada mais de um ano atrás, foi planejada pela 3ª Brigada de Infantaria Motorizada, com sede em Cristalina (GO), a qual pertence o 36º BIMTz (Batalhão de Infantaria Motorizada), com sede em Uberlândia (MG), cuja jurisdição territorial chega até as margens da represa de Jaguara, no lado mineiro.
Segundo o tenente-coronel Carlos André Alcântara Leite, que comandou as tropas, esta foi a primeira vez que a região serviu como teatro de operações para treinamento do Exército. A partir de uma reunião com representantes da Cemig (Companhia Elétrica de Minas Gerais), os militares definiram que a operação englobaria tanto a área da represa como a cidade, a exemplo do que já aconteceu em outras localidades nos estados de Minas e Goiás. Para viabilizar o treinamento, a estatal contribuiu com alimentação e combustível. As prefeituras de Rifaina e Sacramento também deram apoio.
<b>Veja as fotos</b>:
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Foram deslocados para a região soldados de unidades de infantaria, engenharia, cavalaria mecanizada e polícia do Exército, das cidades de Cristalina, Jataí (GO), Brasília, Uberlândia, além dos helicópteros do Batalhão de Aviação de Taubaté (SP).
Durante o exercício de treinamento, os soldados cumprem turnos ininterruptos de trabalho, intercalados com curtos períodos de descanso. Não há folga nem dispensa e todos ficam aquartelados.
<b>A OCUPAÇÃO</b>
As tropas chegaram pela manhã de segunda-feira, ocupando posições na hidrelétrica e em diversos pontos da cidade de Sacramento, cujo município tem três mil quilômetros quadrados de área, pespontados por café, cana de açúcar e pecuária de leite. O comando foi montado no parque de exposições do município, também transformado em acampamento para os soldados, oficina, cozinha e área de estacionamento para as aeronaves.
Apesar de ter visitado a cidade uma semana antes para um reconhecimento e ter se reunido com autoridades locais, o comando não conseguiu evitar a perplexidade entre os moradores que, entre tensos e surpresos, buscavam nas emissoras de rádio, na polícia e na prefeitura explicações para a presença ostensiva do Exército na pacata Sacramento. “Nós tentamos por todos os meios avisar os moradores de que se trata de um treinamento, mas mesmo assim muita gente fica com certa apreensão”, disse o comandante Leite. “Mas é difícil evitar que a chegada de tropas e veículos não quebre a rotina da uma cidade”.
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Durante os quatro dias de operação, postos de controle e bloqueios foram montados nas principais ruas, avenidas e acessos a Sacramento. Aqueles que passavam pela ponte que divide os dois estados, a partir de Rifaina, já davam de cara com as barreiras, não raro envolvendo até 10 soldados fortemente armados. Ao chegar a cidade, a mesma cena se repetia. No centro, além do grande número de caminhões e jipes, soldados em patrulhamento a pé reforçaram a segurança do comércio.
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